Coluna Feita por: Earl Burton
Em Texas Hold'em, a mão de sonho, claro que é, Par de Ases AA (Pocket Aces). Chamemos-lhe tudo o que quiser (American Airlines, The Nuts, etc.), mas eles só irão aparecer uma vez em cada 220 mãos (e isso é a análise estatística). Na realidade, eles podem aparecer com maior ou menor frequência, caso esteja numa sequência de sorte ou numa maré de azar.
Às vezes, o jogador menos experiente cometerá um erro crítico. Até mesmo o melhor profissional o faz. Quando receber o presente dos deuses de Poker, o pensamento imediato em No Limt é empurrar todas as suas fichas para o centro da mesa. A pergunta que você tem que considerar é... porquê?
On-line, ou num jogo de ring ao vivo ou num torneio, o objectivo é maximizar o lucro em todas as mãos. Se você é o tipo que faz All In com Ases (ou pares de mão), está a perder uma oportunidade para construir e, na maioria dos casos, ganhar um enorme pote com a sua mão.
Com Pockets Aces, você tem que enfrentar este facto; você também tem que aceitar o facto que pode ser batido por uma mão menor e perderá uma porção considerável, ou mesmo todas as suas fichas nesta única mão.
Olhemos para a lógica do jogo. Se você tem os Ases under the gun (primeira posição a falar logo à esquerda da BB) e faz um raise, as únicas mãos que deveriam fazer call são pares de mão e possivelmente A-K ou A-Q. A probabilidade do AK-AQ é rara, uma vez que você já tem dois Ases. Assim, as mãos mais prováveis em que pode colocar seu oponente são pares de mão ou, se você sabe que seu oponente tem muitas fichas ou é um maníaco, qualquer par, duas cartas seguidas do mesmo naipe ou cartas da mesma côr. Você QUER que as pessoas façam call aos seus Ases, e você definitivamente quer alguém que lhe faça re-raise.
Nas posições médias ou tardias, é inquestionavelmente uma posição de re-raise. Uma vez mais, você quer que as pessoas disparem contra si, especialmente qualquer limper ou raiser. Se apenas faz call a um raise feito under the gun, esteja preparado para perder a mão; enquanto você tem a melhor mão desde o início, quando não conduzir para fora os seus oponentes, está-lhes a dar a oportunidade de ganhar com as mãos deles/delas e perder a sua.
Por exemplo, recentemente num torneio, eu estava numa posição tardia, um lugar atrás do botão, com um número considerável de fichas. Tinha sido movido para a mesa há pouco tempo, e assim eu não tinha qualquer leitura de meus oponentes. Foram-me dadas "as pedras preciosas" e assisti como alguém numa posição cedo fez raise e cinco pessoas fizeram call. Este era um caso onde o simples call não ia fazer qualquer coisa, apenas colocar-me em dificuldades, assim eu fiz re-raise para all in. Dos originais seis (o raiser e esses que cegamente seguiram o aumento) só dois continuaram a jogar. Um tinha A-K (o esperado) e o outro J-x (?). Eu acabei por ganhar a mão, quase triplicando as minhas fichas.
Em Limit, porém, estamos a lidar com um animal completamente diferente. Você não pode proteger sua mão como acontece em No Limit, assim, há um maior potencial de ser batido por mãos menores. Porém, os axiomas de No Limit ainda continuam verdadeiros. Você quer que as pessoas chamem, e você definitivamente quer que as pessoas façam raise, assim dando-lhe oportunidade de fazer um re-raise. Você tem que observar as pessoas com que está a jogar e, embora doloroso, esteja preparado para lhes lançar a bomba em mãos!
Infelizmente, a maioria das pessoas não quer jogar o jogo que é o poker. Em vez de aproveitar a oportunidade para maximizar o potencial deles/delas, a maioria das pessoas irá All in preflop, empurrando todos os oponentes para fora da mão. Enquanto esta pode ser a táctica certa na parte final de um torneio, quando você está batalhando para a vitória, fazer isto no início não ajuda no aumento do número das suas fichas. Jogue poker, ganhe grandes potes quando as pessoas vão contra si enquanto tem na mão "The Nuts", e esteja preparado para essas bad beats quando as cartas não são do seu agrado. Tudo que você pode esperar deste jogo é ter o melhor possível quando já tem o seu dinheiro lá, e com os Ases, pelo menos começa com a melhor mão em poker.
domingo, 4 de janeiro de 2009
Jogando com AA
Postado por Nico às 23:04 0 comentários
Value Bet e Bluff
Coluna Feita por: RaSZi
Quando faz bluff, tenta convencer os adversários que tem uma mão forte. Quando faz value bet (apostar uma quantia em que você acredita que o adversário irá fazer call e você irá ganhar a mão), tenta representar uma mão pior do que na realidade tem. Embora isto parece ser o oposto uma da outra, na verdade têm o mesmo princípio. Quando melhorar a sua capacidade de fazer bluff, também melhorará as suas value bets. Eis a razão porque decidi discutir os dois termos num mesmo artigo.
Muitas pessoas já me perguntaram "Quando é a melhor altura para fazer um bluff'?" Para saber isto, tem de pensar qual a pior altura para fazer um bluff. Por exemplo, você tem 
e o Flop mostra 

. Em que situação foldaria o seu par de Ases aqui? Qual seria a aposta do seu adversário que você interpretaria como sendo forte o suficiente para você fazer fold? As respostas a estas perguntar você encontra-as quando você deve fazer bluf. Se você foldaria Ases nesta posição, o seu adversário também o faria. Para saber como uma pessoa foldaria esta mão, tem de pensar como jogaria você mesmo. Se não sabe como pode ser desconfortável ter um over pair, então não conseguirá disfarçar esta situação contra o seu adversário. Na verdade, você tem de se certificar que está a fazer bluff a um adversário que é capaz de foldar uma boa mão. Isto é bluff quando o seu adversário está a ser o agressor.
O exemplo mais flagrante de que você é o agressor é conhecido por continuation bet. Você tem 
e não acerta o flop. Você faz uma continuation bet e o seu adversário faz fold. Isto é também bluff (embora muitas vezes com a melhor mão). Depois temos o bluff dupla barreira. Isto é quando você dispara outro bluff no turn. E por fim temos a tripla barreira, onde você dispara o último cartucho no river. Tem de ter atenção para que o seu adversário não esteja a fazer call com um monstro, uma vez que você está sendo sempre o agressor. Um dos grandes aspectos do bluff é ter boa leitura dos adversários.
Não vale a pena descrever 50 diferentes situações onde o bluff seria bem empregue, mas tem de ter atenção que em todas elas tem de ter uma boa leitura dos adversários. Tem de saber o que o seu adversário tem para poder fazer com que fold. E tem também de se certificar que ele quer foldar a sua mão. Quando está a jogar low stakes, raramente um jogador irá foldar par de Ases. Nos limites mais baixos não precisa de fazer bluff, uma vez que os seus adversários acabam por lhe entregar todo o dinheiro. Quanto mais alto jogar, mais necessidade terá em fazer bluff. Por isso não cometa o erro de tentar fazer bluff em todos os pots. Pense bem qual a mão que o seu adversário possa ter e como se está a desenvolver a board. Se aparecer uma carta assustadora (para a mão que você pensa que o seu adversário tem) então é altura de fazer bluff. Veja o jogo através dos olhos dos adversários.
O objectivo do bluff é ganhar o pot. Não é uma questão de ver quem tem mais coragem no mundo do poker. Mostre um bluff apenas se lhe for útil no futuro. Por exemplo, você normalmente joga tight, mas gostava que lhe pagassem mais vezes. Este é um exemplo esquisito e deverá apenas ser utilizado em limites maiores. O seu objectivo é ganhar mais dinheiro e não mostrar os seus roubos aos adversários.
Value bet segue o mesmo princípio, implicando que tire o maior proveito da sua mão. Toda a gente conhece a situação em que você faz check no river (depois de apostar o flop e o turn) com 
com
high na board e o seu adversário mostra 
. Poderia ter ganho mais do que ganhou com esta mão. Apostar no river nesta situação é uma value bet. Sabe que tem a melhor mão e quer colocar mais dinheiro no pot. Muitas pessoas pensam que uma value bet são entre 40% - 60% do pot, mas isto é um grande erro. Algumas vezes, a melhor value bet é fazer all-in. Se você acertou um straight no river com o seu 
quando a board era 



e você pensa que o seu adversário tem 
, um all-in seria uma value bet perfeita. Embora nem sempre funcione, quando funciona compensa. Se a sua value bet de $100 leva sempre um call, então se fizer all-in de $1,100, o seu adversário apenas terá de fazer call 1 vez para compensar. Este é um exemplo de uma over bet que funciona como value bet.
O erro que muitos jogadores fazem é olharem para a board. Apercebi-me disto pela primeira vez quando estive em Copenhaga para jogar o EPT PokerStars com o Hallinggol e o Check_Kills. Estava ver Hallinggol a jogar quando ele apostou $3,000 no river num pot com $3,500 com 77 quando na mesa estavam 9-8-8-5-2. Eu disse "por favor folda" e Hollinggol disse "wtf, por favor faz call, esta é uma value bet". O seu adversário fez call e fez muck. O que percebi na altura é que pouco importa o que está na mesa. Se bateu o flush no river e você não coloca o seu adversário no flush e pensa que ele tem um par menor que o seu, vá em frente a faça uma value bet. Tal como no bluff, tudo se resume à leitura.
Tem de ser certificar que tem uma mão mais forte que a do seu adversário. Depois terá de pensar qual a quantia máxima que ele fará call com aquela determinada mão. Não vá sempre pela opção mais fácil de fazer check no river.
Postado por Nico às 22:58 0 comentários
Smallball Poker
Coluna Feita por: PokerNews Staff
É muito provável que já se tenha cruzado com este termo anteriormente: smallball poker. Mas o que é exactamente o smallball poker e quais as suas vantagens?
Se começou agora a jogar poker é natural que tenha rapidamente adoptado o hábito de jogar de forma agressiva as suas mãos mais marginais. Isso vai fazer com que o tamanho dos potes aumente com muita facilidade e muitas das vezes vai estar a meter todas as suas fichas no meio da mesa com apenas um par. Se fizermos uma pequena comparação com o Baseball, a sua estratégia é conseguir o maior número de home runs que conseguir. Atire uma bola para fora do campo e vai poder confortavelmente caminhar para a sua base. Nem tão pouco precisa de correr pois a vitória é certa.
Smallball é exactamente o oposto: vai com muita precisão colocar a bola entre o catcher e o pitcher e assim ter o tempo suficiente para chegar à primeira base. Como deve imaginar o smallball poker requer muito mais skill do que o longball.
Quando joga smallball poker vai fazer raise com muitas mãos, mas vão ser raises não muito grandes, cerca de 2,5 big blinds. Normalmente 3 raises em smallball equivalem a 2 raises em longball. Vai usar a posição como principal vantagem e fazer raise com uma larga range de mãos.







O principal objectivo destes raises é fazer com que os seus adversários foldem as suas mãos, mas mesmo que isso não aconteça e leve call de uma das blinds não tem razão para ficar preocupado. Ainda lhe restam duas formas de ganhar a mão: acertar no flop ou então explorar a vantagem de jogar com posição.
Imagine que está na big blind e à sua direita tem um jogador claramente a jogar smallball e a fazer raise em todas as mãos em late position. Você sabe que ele não vai ter sempre 
, mas o seu 
também não é nenhum monstro. Mesmo assim você decide fazer o call e o flop traz para a mesa 

. Você falhou completamente o flop e opta por fazer check. O jogador de smallball faz uma moderada continuation bet e você folda. Ele pode não ter nada, mas você também não quer correr riscos.
É assim que um jogador de smallball ganha as suas fichas. Ele não tem interesse em ver um showdown, a sua maior preocupação passa por ganhar o pote pré-flop ou no máximo no flop e muito raramente vão querer ver o turn e o river. Estes pequenos potes vão garantir o aumento da sua stack sem que corram grandes riscos. Foldar pos-flop é apenas umas das suas armas no caso de encontrarem resistência por parte do adversário e aí vão foldar e esperar por um melhor spot (ou por um melhor adversário).
Nos cashgames você pode jogar sempre smallball, mas em torneios chega a uma determinada altura em que esta estratégia já não vai resultar e deixa de ser opção. Só pode usar esta estratégia nas fases iniciais dos torneios, em que as blinds ainda são relativamente pequenas. Quando as blinds aumentarem e passarem a representar uma percentagem significativa da sua stack você vai ter que passar a jogar longball, quer goste ou não. Vai jogar muitos potes grandes e muitas das vezes vai ter mesmo de colocar todas as suas fichas no meio da mesa.
A estratégia smallball não pode ser usada por qualquer jogador, uma vez que vai estar a jogar com uma larga range de mãos e precisa de ser um jogador experiente no pos-flop para que não se meta em problemas. As decisões são frequentemente muito mais difíceis em comparação com mãos em que vai acertar top pair com 
. Muitas vezes vai ter de decidir se o seu 
é a melhor mão numa board com o flop 

. Esta é também uma das razões pela qual o smallball poker é jogado com posição.
Claro que um jogador de smallball também vai fazer os seus all-ins aqui ou ali e no caso de jogar um uma mão até ao showdown ele vai normalmente mostrar nuts.
Postado por Nico às 22:48 0 comentários
Suited Connectors
Coluna Feita por: Lawrence Shaw
Muitas vezes ouve jogadores dizerem que os suited connectors são as suas mãos favoritas, mas porquê? O que é que estas mãos têm de tão lucrativo, ou mais importante, como é que joga estas mãos de forma lucrativa?
Uma das razões pela qual os suited connectors são uma arma importante no seu arsenal é pelo facto de a maioria dos jogadores já ter pré definido o top 10 das mãos iniciais. Como resultado, os jogadores têm de começar a variar o tipo de mãos a fim de evitarem a previsibilidade.
Suited connectors são duas cartas do mesmo naipe e que estão em sequência, como por exemplo,
ou 
. Será boa ideia agrupar os suited connectors em três diferentes grupos:
Suited connectors baixos: 2-3, 3-4, 4-5, 5-6, 6-7
Suited connectors médios: 7-8, 8-9, 9-10
Suited connectors altos: 10-J, J-Q, Q-K, K-A
Vamos começar pelos suited connectors baixos. Acho que consigo dar-vos um bom conselho sobre estes; simplesmente não os jogue! O objectivo de começar a jogar os suited connectors, é variar um pouco a sua selecção de mãos, mas se começar a jogar todos os suited connectors vai variar demais as suas mãos iniciais, que resultará num estilo de jogo muito loose. Assim que definir alguns dos suited connectors altos e médios como mãos inicias, vai conseguir variar o seu jogo, o suficiente para lucrar com isso. Portanto pode bem esquecer as mãos baixas.
Claro que existem algumas situações onde vai jogar os suited connectors baixos. Se estiver na big blind e nenhum jogador fizer raise ou quando está na small blind e já estão 4 ou 5 jogadores no pote, facilmente fará limp. Mas tenha sempre muito cuidado, pois pode acertar uma boa mão no flop, como por exemplo um flush, e pode já estar drawing dead para um flush superior. Não esquecendo também os A-High/K-High flush draws que também tornam a sua mão bastante vulnerável.
Os suited connectors médios são sem dúvida mãos que vai querer incluir no arsenal das suas mais iniciais. Estas mãos jogam-se melhor enquanto tem uma imagem tight na mesa, uma vez que os jogadores que estiverem atentos vão facilmente colocá-lo em cartas altas. Como resultado, vai conseguir enganar os seus adversários ao jogar os suited connectors médios.
Existem no entanto algumas coisas que deve ter em atenção enquanto joga este tipo de mãos. Primeiro de tudo: Não faça raise (!) se não estiver disposto a fazer uma bet grande e continuar a apostar no flop. Quando faz raise com este tipo de mãos, o seu objectivo é dar a entender que está a jogar cartas altas. Se não estiver disposto a fazer um raise forte com estas mãos, mais vale não jogá-las.
Então, tenha sempre consciência da sua imagem na mesa antes de jogar estas mãos. Um raise com suited connectors médios, tem como objectivo variar a sua estratégia de jogo tight-agressive. Se não tiver uma imagem tight-agressive na mesa, então o seu raise influenciará pouco o jogo uma vez que será visto como um raise de um jogador que faz raise tantas vezes como qualquer outro na mesa. Portanto, se não conseguir criar a impressão de que está a jogar um monstro, deverá apenas fazer call pré-flop, ou ainda melhor, um simples fold.
Os suited connectors altos, são mãos que muitas vezes são sobrevalorizadas. Alguns jogadores muitas vezes assumem que uma mão do tipo 
vai automaticamente acertar num top pair com upper-down e flush draw. Nunca se deve esquecer, que o facto de ter cartas suited, apenas vai aumentar 2,5% as suas hipóteses de ganhar a mão.
A força dos suited connectors reside no facto de que são mãos muito flexíveis para jogar. Você não vai acertar no nuts com muita frequência, mas algumas vezes vai acertar uma mão aceitável ou flopar um bom draw, às vezes até um pouco de ambos. São mãos semi-fortes, o que significa que tem sempre de ter cuidado ao avaliar a força de sua mão, em comparação com a mão dos seus adversários. Tenho a certeza que todos vocês já passaram por situações em que acertaram num par de J's com Q-J e acabaram por perder a mão contra AJ.
Em late position, vai jogar muito mais vezes os suited connectors altos do que os baixos, pois vai tirar partido da sua posição e do facto de já ter informação dos jogadores que agiram anteriormente. Um raise do seu adversário dar-lhe-á informação sobre a mão que está a segurar. No entanto, um call da sua parte não vai dar grande informação ao outro jogador sobre as cartas que está a jogar. Se sabe, por exemplo, que o seu adversário gosta de fazer raises em middle position com pares médios, você pode fazer o call e depois, no caso de acertar no flop, fazer raise à C-Bet no flop.
Você pode jogar mãos fortes sem posição e pode jogar mãos fracas com posição, mas o que não pode fazer é jogar mãos fracas ou semi-fortes sem posição e esperar ter lucro no longo prazo.
Muitos dos jogadores de Hold'em, procuram várias vezes uma desculpa para jogar uma mão, e quando recebem duas cartas do mesmo naipe e sequenciadas é razão suficiente para se envolverem no pote. Portanto, esteja atento para não ficar enredado numa espiral em que você comece a jogar mais e mais mãos. Os suited connectors têm o potencial para ganhar grandes potes, mas no final do dia continuam a ser apenas duas cartas desemparelhadas que, muitas vezes, tendem a ser cartas baixas ou médias.
Postado por Nico às 18:01 0 comentários
sábado, 3 de janeiro de 2009
Bankroll
Coluna Feita por: Raúl Oliverira
Editado por: Johnny Régis Fusinato
Nunca é demais insistir nesse assunto, já que todo jogador passa pela necessidade de aprender a controlar o seu caixa.
Por que um cassino quase sempre ganha o dinheiro dos jogadores? A primeira resposta que vem à nossa cabeça é: porque ele tem mais de 50% de chances nos jogos que oferece. Isso é uma verdade, mas eu garanto para vocês que não é o único
fator. E ainda digo mais: caso o cassino jogasse com 49% de chances (contra 51% para os jogadores) ele ainda assim ganharia dinheiro, e muito. E o porquê disso é muito simples: bankroll. O cassino não quebra e está sempre disposto a mais uma rodada; já o jogador tem seu bankroll bem limitado e tem que parar toda vez em que
perde o seu dinheiro, pois não tem mais como continuar.
Bankroll é dinheiro, então é claro que quanto mais houver, melhor. Mas existem alguns estudos que mostram quais os bankrolls mínimos para se suportar as oscilações naturais de cada modalidade de jogo ou torneio. Mostrarei aqui alguns exemplos:
Sit-and-Go - No caso dos sit-and-go, o mínimo que você precisa ter é 15 vezes o valor da inscrição, caso você jogue de um em um e se sinta seguro com o nível dos jogadores no valor escolhido. Para poder ter mais tranqüilidade, eu aconselho que você tenha 20 vezes o valor da inscrição.
Cash Game - O bankroll para o cash game é bem maior do que você pode imaginar. No caso da minha especialidade, o limit game, um número bom para se ter na cabeça é de, no mínimo, 150 vezes o big bet, mas também aconselho, para que se sinta seguro, ter 200 vezes o valor do big bet. Isso quer dizer, por exemplo, que se você jogar em uma mesa $5-$10, o ideal é que tenha $2.000 de giro, mas pode ser a partir
de $1.500, se você sentir que está acima da média dos jogadores. Não confunda big bet com big blind – os jogos fixed limit costumam ser nomeados por small bet e big bet. O small bet é a aposta no pré-flop e flop, já no turn e river a aposta é o big bet. Portanto, um jogo fixed limit 1/2 costuma ter small blind de 0,50, big blind e small bet de 1 e o big bet de 2. Espero que não tenha ficado confuso para os que só jogam a modalidade no limit. Já no caso do no limit, penso que um bankroll seguro está na faixa de 15 a 20 vezes o valor do buy-in da mesa, ou seja, no caso de uma mesa NL5-10, entre $15.000 a $20.000 de bankroll.
Esses valores acima não são uma verdade absoluta, até porque de acordocom cada estilo de jogador a oscilação pode ser maior ou menor, mas o importante nesse artigo é mostrar que, caso não se respeite o bankroll corretamente, você nunca terá a noção real do seu desempenho nas mesas em que estiver jogando, já que, dependendo da relação aposta X bankroll, várias vezes você irá quebrar mesmo em um jogo onde tinha mais de 50% de chance de ganhar.
Entendendo isso, fica fácil visualizar como um bankroll baixo nos passa falsas impressões quanto a adversários e nível do jogo em geral. Além disso, não respeitar o seu bankroll faz com que a possibilidade de subida do valor da mesa em que se joga fique muito mais lenta.
É claro que tudo isso em palavras é muito bonito e parece bem simples, mas é preciso imensa disciplina e seriedade para lidar com o seu bankroll na prática. Eu mesmo,
no início da minha carreira, quando comecei a jogar no PartyPoker, quebrei várias vezes por não respeitar o meu bankroll. De qualquer forma, ter o valor da importância desse controle levado a sério em sua mente já é um bom começo.
Não jogue em mesas ou torneios que não pode suportar, só para construir uma imagem ou ter uma chance de ser reconhecido pelos outros. Todo mundo começou jogando em limites baixos e foi subindo aos poucos, dentro de suas realidades.
Entrar em um evento mais caro ou em mesa acima do seu limite só para provar a alguém ou a si mesmo que você é capaz, não costuma ser uma boa idéia, nem acabar bem.
Todo jogador já passou por situações de altos e baixos, e a perda do controle ao lidar com o bankroll é quase sempre uma das razões que leva o jogador para o buraco. Tenha paciência e saiba esperar seu momento – garanto que você terá muito mais
estabilidade.
Abraço a todos!
Raul Oliveira é nascido no Rio de Janeiro e um dos pioneiros do Texas Hold'em no Brasil, como criador do site Clube do Poker. Especializado em cash games de Limit Hold'em, mesmo assim possui um dos mais importantes resultados entre os brasileiros em torneios – um 40º lugar no Main Event do WPT Five Diamond World Poker Classic 2006, no Bellagio, Las Vegas.
Postado por Nico às 21:15 0 comentários
Tells
Coluna Feita por: Fábio Cunha
Editado por: Johnny Régis Fusinato
Perguntavam se eu acreditava na possibilidade de “pegar” uma reação involuntária de um jogador, que desse alguma dica ou revelasse a força de sua mão.
Vale lembrar que este é um assunto extremamente abstrato. Muitas vezes, o que funciona com um jogador não funciona com outro. Dessa forma, recomendo a utilização desse artigo apenas como um “guia introdutório”. Essas são algumas informações sobre tells que eu utilizo no meu jogo e aprendi com o tempo, experiências de observação na mesa e também com livros. Para quem quiser se aprofundar mais, eu recomendo o livro “Caro’s Book of Poker Tells”, do Mike Caro (em inglês).
PISTAS
O princípio básico dos tells diz que as ações de um jogador na mesa costumam significar exatamente o seu contrário, ou seja, se alguém faz uma aposta falando o valor alto, ou de modo intimidador, ele geralmente não tem uma mão tão forte assim. Da mesma forma, se você ouvir alguém sussurrando o valor da aposta, fique com medo, pois geralmente essa pessoa está montada no jogo.
A partir do princípio acima, já fica possível discernir algumas inforinformações bem interessantes. Quem já não se encontrou nesta situação? Você está numa mesa quando um jogador antes de você dá um raise. Ao olhar suas cartas, você vê uma
mão forte, mas não o nuts. Algo como JJ ou AK, talvez. Você resolve aumentar a aposta, novamente. Todos dão fold até o jogador antes de você, que pensa um pouco, dá um grande suspiro, como se estivesse desanimado, ou ainda fala algo
como: “Bom... fazer o quê, né? Vamos lá.” Ou ainda algo como: “Pelo menos ainda pego o cash game se for eliminado...” E empurra suas fichas para o centro da mesa,
declarando-se all in. Eu diria que, na imensa maioria das vezes, esse jogador tem KK ou AA em sua mão.
GESTOS E POSTURA
Eu gosto muito de observar as mãos dos jogadores quando eles estão apostando. Com o tempo, acabei notando que, quando um jogador faz uma aposta que é um
blefe, além de ele geralmente jogar suas fichas no pot, suas mãos costumam fazer um movimento involuntário, projetando-se para a frente e levantando os dedos, como se
estivesse me mandando embora. O jogador cuidadoso, que calmamente coloca suas fichas no pot, geralmente não está blefando.
A inclinação de um jogador em relação à mesa é mais uma coisa a ser observada. O princípio é o mesmo: se o jogador faz uma aposta e fica inclinado para a frente, praticamente com os cotovelos em cima da mesa, ele geralmente não tem uma
mão forte. Ele projeta seu corpo em sua direção como uma forma de intimidação. Por outro lado, se o jogador está jogado em sua cadeira, inclinado para trás, mostrando tranqüilidade e ao mesmo tempo, quase ou nenhuma agressão, tome muito
cuidado. Esse jogador quer ter você no pot com ele.
NERVOSISMO
Outro ponto interessante é o fato de um jogador “tremer”. Esse é provavelmente o primeiro tell que as pessoas aprendem a observar, por que ele não é nada discreto.
Dificilmente você deixa de notar um jogador tremendo à sua frente. O mais interessante disso tudo é que a maioria das pessoas tem uma percepção
totalmente equivocada quanto à real natureza desse tell. A grande maioria acha que quando alguém está tremendo, está blefando. Pois bem, é justamente o contrário! Se
você estiver jogando um pot com alguém e este começar a tremer, fique atento. Se esse jogador for um iniciante, pode sair correndo, pois ele tem o nuts ou muito próximo disso.
A mão na boca é outro tell interessante. Um jogador que ao apostar coloca a mão na boca, escondendoa, geralmente não tem uma mão forte. No entanto, esse é um tell
que algumas vezes não funciona muito bem, pois para alguns jogadores significa justamente o contrário. Então fique atento e note quando alguém está com a
mão na boca, se este tem uma mão forte ou não. Com isso você consegue descobrir se a mão na boca dele quer dizer força ou medo.
Com os olhos é a mesma coisa: se a pessoa encara você, intimidando, ela tende a não ter uma mão tão forte quanto alguém que olha para longe, tentando parecer desinteressado. No entanto é mais um tell que se mostra “traidor” algumas vezes. O grande jogador André Akkari utilizou esse tell com maestria em uma
mão contra o top player Patrick Antonius no EPT da França, há cerca de dois anos. Novamente, foram as ações passadas desse jogador que lhe permitiram notar quando ele tinha uma mão forte e quando estava blefando.
Acredito que grande parte dos jogadores de hoje utilizam óculos não para esconder seus tells, e sim para dar tranqüilidade quando tem alguém os encarando durante uma
mão.
Tenho certeza que, se ficarem atentos, no próximo torneio live vão notar muitos desses tells ocorrendo. No início é normal ter um pouco de receio quanto a eles e não confiar tanto no que seus olhos estão vendo. Com o tempo a confiança vai aparecer
e a tendência é que vocês notem isso com mais e mais freqüência e passem a utilizar como uma ferramenta no jogo.
Apesar de ser importante, vale relembrar que é apenas mais uma ferramenta. Se você resolver jogar baseando-se puramente em tells, fatalmente vai quebrar no jogo. O
mais interessante é você combinar esse conceito com inúmeros outros, como padrão de apostas de cada jogador, pot odds, momento do torneio, seu stack em relação às
blinds, e muitos outros. E isso é só para torneios. No cash game saem alguns conceitos e entram outros.
Em alguns blogs na internet e artigos nas publicações estrangeiras é comum vermos jogadores comentando que fulano ou sicrano tem bons “poker instincts”. Esses “instintos” são apenas uma combinação de todos esses conceitos e fatores
que passam pela cabeça do jogador, o que acaba resultando na sua decisão. Definitivamente não é algo fácil de explicar e menos ainda de fazer. Mas tudo
tem um começo, e isso vai se formando aos poucos na cabeça de cada um.
Minha sugestão final pode ser definida em uma palavra: atenção. Se você ficar atento na mesa a cada aposta, estando envolvido ou não, você vai adquirindo informações
valiosas sobre os jogadores. No jogo online, preste atenção nos padrões de aposta e freqüência com que cada jogador entra numa mão. No live, ainda tem os tells para lhe ajudar. Preste atenção nisso e tenho certeza de que seu jogo irá evoluir muito.
Fábio Cunha, natural de São Paulo, é o criador e moderador da comunidade Poker Mania no Orkut, além de ser um dos melhores jogadores brasileiros na modalidade
Omaha Hi-Lo.
Postado por Nico às 21:07 0 comentários
Heads Up
Editado por: Johnny Régis Fusinato
Heads Up - De mano a mano
Aprender a ajustar sua estratégia para o jogo mano-a-mano irá lhe provar ter sido um dos melhores investimentos que já fez.
Jogar em heads-up é a forma mais subjetiva em que o Hold'em se apresenta, e por isso vou explicar aqui o que penso quando estou nesta situação e como gosto de jogar. Notem que tudo aqui descrito é a forma como eu me sinto bem em heads-up, e não o que é mais certo ou errado de se fazer. Como sabem, ou deveriam já saber a essa altura, no poker não há uma verdade absoluta ou uma só maneira de estar certo ou errado.
Nos últimos meses joguei cerca de 400 heads-up, principalmente na faixa de 1K, e meus resultados têm sido muito bons. Foi assim que tive a idéia de compartilhar com vocês esta coluna, até porque jogar em heads-up envolve muita lógica e raciocínio, e isso nós adoramos, não é mesmo?
Um fato incontestável é que, para se jogar bem um heads-up, é preciso rapidamente
identificar o estilo do seu adversário e, em função disso, traçar a sua estratégia. Também é importante saber que não existe uma cartilha para o heads-up, portanto você terá que experimentar bastante e essa experimentação aumentará o seu raciocínio e o tornará mais rápido. Em conseqüência de tudo isso, você passará a diminuir seus erros. Outro fator fundamental no heads-up é o valor da High Card: mãos como Ax e Kx passam a ter um valor muito mais alto do que teriam em um jogo de mesa cheia.
Em qualquer heads-up existem duas situações de jogo: em uma você está no small blind (SB), sendo o primeiro a falar antes do flop, e o último depois dele. E na segunda, quando você é o big blind (BB), que age depois no préflop e antes após o mesmo. Das duas, a mais difícil é a primeira, já que você faz sua jogada sem ter nenhuma informação inicial. Quando se está na posição de BB, sua jogada no pré-flop passa a ser uma resposta à jogada do adversário, o que torna a análise de situação um pouco mais simples e menos arriscada.
Como falei antes, identificar o estilo de seu adversário é essencial: para cada tipo de jogador deve-se adotar uma forma de jogar, sem precisar fugir da essência do seu jogo, mas sim ajustá-la em função do outro. Vou dividir os adversários em três tipos e discorrer sobre qual encaro ser a melhor estratégia contra cada um dos tipos apresentados.
Tight – Dá fold em 50% ou mais dos SB e em 80% ou mais dos BB quando a mão vem com raise.
Acho que esse é o melhor jogador para se jogar contra, já que a leitura fica simples e as decisões são mais fáceis. Nesse caso, acho que você deve jogar de forma agressiva, mas sem entrar de all in nas mãos, uma vez que ele só pagará quando estiver com uma mão muito forte. Penso que um raise de 2,5BB é suficiente contra um jogador desse tipo. O cuidado a ser tomado é quando se está no BB, já que mãos consideradas boas num heads-up perdem um pouco do valor contra esse estilo de jogador. A estratégia a ser tomada, ao meu ver, é espremê-lo contra a parede e ir tomando as fichas aos poucos. Quando entrar em uma proporção de fichas com cerca de 30%x70%, tanto para um lado quanto para o outro, acho que deve-se entrarde all in nas mãos já que, por se tratar de um jogador tight, o saldo se torna positivo. Isso, é claro, nas mãos em que você decidir jogar, não em todas.
Passivo– Quase não dá raise, mas completa quase toda mão quando está no SB e paga os raises baixos quando está no BB.
Nesse caso, valorize mais as mãos com maior poder de aposta no pósflop, como por exemplo os jogos suiteds e os connectors. Quando vier com mãos fortes, dê um raise baixo; não complete apenas, já que na maioria das vezes ele irá pagar seu raise e maximizará sua vitória. Tenha paciência contra esse tipo de jogador e aproveite também o fato de ele gostar de ver flops quando você tiver mãos ruins. Como ele geralmente não aumentará muito pré-flop, você também ganha a chance de ver flops grátis ou muito baratos, e o jogo pós-flop se torna uma das suas principais armas contra ele.
Agressivo – Dá raise em 80% das vezes que está no SB, sendo algumas de all in, e volta re-raise em 40% ou mais, nas vezes em que a mão vem com raise.
Nesse caso, quando você estiver no BB, o melhor a fazer é esperar uma mão boa para decidir o torneio. No SB, é melhor dar um raise com possibilidade de volta quando tiver uma mão boa e um raise forte ou até mesmo um all in quando tiver uma mão boa com um High Card ruim, tipo 89s ou TJo, já que essas mãos são boas para se decidir um torneio, mas ruins para se pagar um all in.
Esse é o tipo de oponente mais perigoso, aquele que fará com que o heads-up dure apenas alguns minutos. Saiba que também não adianta esperar muito até encontrar a mão perfeita contra ele, já que ele atacará seus blinds incessantemente. Como expliquei, escolha uma mão sólida e o ataque de volta, assim ele tende a dar uma leve recuada e você pode aproveitar um melhor momento para decidir.
melhor momento para decidir. Se ele não recuar, e muitos não o fazem, estude bem a melhor oportunidade e dê a ele o que está pedindo: entre em uma mão de all in pré-flop, desde que tenha escolhido boas cartas para o embate.
Em situações de heads-up, às vezes é mesmo inevitável a decisão paciente que você pode preferir. Por isso digo que cada experiência adquirida jogando heads-up certamente trará resultados futuros para o raciocínio do jogador. Não despreze as oportunidades de praticar nessa situação – entre em minitorneios heads-up ou sit & gos e treine constantemente.
Como disse, esse é apenas um pequeno sumário do se que passa na minha cabeça quando jogo um headsup, mas é uma bela linha de estratégia a ser planejada. Dependendo do seu estilo, você pode usar minha estratégia como base e adaptar em cima do seu jogo, chegando a encontrar o seu próprio estilo vencedor para situações de heads-up.
Um fator muito importante nos heads-up, para mim, é a pressão, e vou dar uma dica aqui que considero muito valiosa, como no exemplo :
Você tem 2.000 fichas contra 1.000 fichas do seu adversário e os blinds já estão em 50/100. Está sendo um headsup demorado... Nesse tipo de situação eu vou dar all in todas as vezes em que tiver um K, um A, um par ou duas cartas acima de nove!
Mas por quê? Porque quando você tem essas cartas, elas são favoritas contra jogos aleatórios, que geralmente contém uma ou duas cartas abaixo da média. Pense sobre isso! É uma grande dica!
Além disso, devese levar em conta em que tipo de heads-up você se encontra: é um heads-up de final de sit-and-go, é um sitand-go ou torneio de heads-up, uma final de um grande multitable ou até mesmo um cash game? Existe muita diferença entre todos esses casos, seja em relação aos stacks e blinds ou até mesmo quanto ao estado de cansaço físico e psicológico em que você e seu adversário se encontram.
Cada caso desses pode exigir pequenos ou grandes ajustes em diversos fatores de sua estratégia, e a cada heads-up jogado você irá adquirir mais experiência para poder tomar suas decisões e realizar os ajustes necessários para cada situação.
Boa sorte, galera, e, como sempre digo, pratique e seja um bom jogador em heads-up pois, mesmo quando você está jogando em uma mesa cheia, as jogadas geralmente terminam no enfrentamento entre você e apenas outro jogador! Um grande abraço e até a próxima!
Christian “CK” Kruel É nascido no Rio de Janeiro e um dos pioneiros do Texas Hold'em no Brasil, como criador do site Clube do Poker. É o brasileiro com maior experiência internacional, tendo alcançado diversas mesas finais em etapas do WPT.
Postado por Nico às 21:04 0 comentários