domingo, 4 de janeiro de 2009

Jogando com AA

Coluna Feita por: Earl Burton

Em Texas Hold'em, a mão de sonho, claro que é, Par de Ases AA (Pocket Aces). Chamemos-lhe tudo o que quiser (American Airlines, The Nuts, etc.), mas eles só irão aparecer uma vez em cada 220 mãos (e isso é a análise estatística). Na realidade, eles podem aparecer com maior ou menor frequência, caso esteja numa sequência de sorte ou numa maré de azar.

Às vezes, o jogador menos experiente cometerá um erro crítico. Até mesmo o melhor profissional o faz. Quando receber o presente dos deuses de Poker, o pensamento imediato em No Limt é empurrar todas as suas fichas para o centro da mesa. A pergunta que você tem que considerar é... porquê?

On-line, ou num jogo de ring ao vivo ou num torneio, o objectivo é maximizar o lucro em todas as mãos. Se você é o tipo que faz All In com Ases (ou pares de mão), está a perder uma oportunidade para construir e, na maioria dos casos, ganhar um enorme pote com a sua mão.
Com Pockets Aces, você tem que enfrentar este facto; você também tem que aceitar o facto que pode ser batido por uma mão menor e perderá uma porção considerável, ou mesmo todas as suas fichas nesta única mão.

Olhemos para a lógica do jogo. Se você tem os Ases under the gun (primeira posição a falar logo à esquerda da BB) e faz um raise, as únicas mãos que deveriam fazer call são pares de mão e possivelmente A-K ou A-Q. A probabilidade do AK-AQ é rara, uma vez que você já tem dois Ases. Assim, as mãos mais prováveis em que pode colocar seu oponente são pares de mão ou, se você sabe que seu oponente tem muitas fichas ou é um maníaco, qualquer par, duas cartas seguidas do mesmo naipe ou cartas da mesma côr. Você QUER que as pessoas façam call aos seus Ases, e você definitivamente quer alguém que lhe faça re-raise.

Nas posições médias ou tardias, é inquestionavelmente uma posição de re-raise. Uma vez mais, você quer que as pessoas disparem contra si, especialmente qualquer limper ou raiser. Se apenas faz call a um raise feito under the gun, esteja preparado para perder a mão; enquanto você tem a melhor mão desde o início, quando não conduzir para fora os seus oponentes, está-lhes a dar a oportunidade de ganhar com as mãos deles/delas e perder a sua.

Por exemplo, recentemente num torneio, eu estava numa posição tardia, um lugar atrás do botão, com um número considerável de fichas. Tinha sido movido para a mesa há pouco tempo, e assim eu não tinha qualquer leitura de meus oponentes. Foram-me dadas "as pedras preciosas" e assisti como alguém numa posição cedo fez raise e cinco pessoas fizeram call. Este era um caso onde o simples call não ia fazer qualquer coisa, apenas colocar-me em dificuldades, assim eu fiz re-raise para all in. Dos originais seis (o raiser e esses que cegamente seguiram o aumento) só dois continuaram a jogar. Um tinha A-K (o esperado) e o outro J-x (?). Eu acabei por ganhar a mão, quase triplicando as minhas fichas.

Em Limit, porém, estamos a lidar com um animal completamente diferente. Você não pode proteger sua mão como acontece em No Limit, assim, há um maior potencial de ser batido por mãos menores. Porém, os axiomas de No Limit ainda continuam verdadeiros. Você quer que as pessoas chamem, e você definitivamente quer que as pessoas façam raise, assim dando-lhe oportunidade de fazer um re-raise. Você tem que observar as pessoas com que está a jogar e, embora doloroso, esteja preparado para lhes lançar a bomba em mãos!

Infelizmente, a maioria das pessoas não quer jogar o jogo que é o poker. Em vez de aproveitar a oportunidade para maximizar o potencial deles/delas, a maioria das pessoas irá All in preflop, empurrando todos os oponentes para fora da mão. Enquanto esta pode ser a táctica certa na parte final de um torneio, quando você está batalhando para a vitória, fazer isto no início não ajuda no aumento do número das suas fichas. Jogue poker, ganhe grandes potes quando as pessoas vão contra si enquanto tem na mão "The Nuts", e esteja preparado para essas bad beats quando as cartas não são do seu agrado. Tudo que você pode esperar deste jogo é ter o melhor possível quando já tem o seu dinheiro lá, e com os Ases, pelo menos começa com a melhor mão em poker.

Value Bet e Bluff

Coluna Feita por: RaSZi

Quando faz bluff, tenta convencer os adversários que tem uma mão forte. Quando faz value bet (apostar uma quantia em que você acredita que o adversário irá fazer call e você irá ganhar a mão), tenta representar uma mão pior do que na realidade tem. Embora isto parece ser o oposto uma da outra, na verdade têm o mesmo princípio. Quando melhorar a sua capacidade de fazer bluff, também melhorará as suas value bets. Eis a razão porque decidi discutir os dois termos num mesmo artigo.

Muitas pessoas já me perguntaram "Quando é a melhor altura para fazer um bluff'?" Para saber isto, tem de pensar qual a pior altura para fazer um bluff. Por exemplo, você tem (A-Clubs)(A-Diamonds) e o Flop mostra (Q-Diamonds)(Q-Clubs)(10-Spades). Em que situação foldaria o seu par de Ases aqui? Qual seria a aposta do seu adversário que você interpretaria como sendo forte o suficiente para você fazer fold? As respostas a estas perguntar você encontra-as quando você deve fazer bluf. Se você foldaria Ases nesta posição, o seu adversário também o faria. Para saber como uma pessoa foldaria esta mão, tem de pensar como jogaria você mesmo. Se não sabe como pode ser desconfortável ter um over pair, então não conseguirá disfarçar esta situação contra o seu adversário. Na verdade, você tem de se certificar que está a fazer bluff a um adversário que é capaz de foldar uma boa mão. Isto é bluff quando o seu adversário está a ser o agressor.

O exemplo mais flagrante de que você é o agressor é conhecido por continuation bet. Você tem (A-Clubs)(K-Clubs) e não acerta o flop. Você faz uma continuation bet e o seu adversário faz fold. Isto é também bluff (embora muitas vezes com a melhor mão). Depois temos o bluff dupla barreira. Isto é quando você dispara outro bluff no turn. E por fim temos a tripla barreira, onde você dispara o último cartucho no river. Tem de ter atenção para que o seu adversário não esteja a fazer call com um monstro, uma vez que você está sendo sempre o agressor. Um dos grandes aspectos do bluff é ter boa leitura dos adversários.

Não vale a pena descrever 50 diferentes situações onde o bluff seria bem empregue, mas tem de ter atenção que em todas elas tem de ter uma boa leitura dos adversários. Tem de saber o que o seu adversário tem para poder fazer com que fold. E tem também de se certificar que ele quer foldar a sua mão. Quando está a jogar low stakes, raramente um jogador irá foldar par de Ases. Nos limites mais baixos não precisa de fazer bluff, uma vez que os seus adversários acabam por lhe entregar todo o dinheiro. Quanto mais alto jogar, mais necessidade terá em fazer bluff. Por isso não cometa o erro de tentar fazer bluff em todos os pots. Pense bem qual a mão que o seu adversário possa ter e como se está a desenvolver a board. Se aparecer uma carta assustadora (para a mão que você pensa que o seu adversário tem) então é altura de fazer bluff. Veja o jogo através dos olhos dos adversários.

O objectivo do bluff é ganhar o pot. Não é uma questão de ver quem tem mais coragem no mundo do poker. Mostre um bluff apenas se lhe for útil no futuro. Por exemplo, você normalmente joga tight, mas gostava que lhe pagassem mais vezes. Este é um exemplo esquisito e deverá apenas ser utilizado em limites maiores. O seu objectivo é ganhar mais dinheiro e não mostrar os seus roubos aos adversários.

Value bet segue o mesmo princípio, implicando que tire o maior proveito da sua mão. Toda a gente conhece a situação em que você faz check no river (depois de apostar o flop e o turn) com (A-Spades)(J-Spades) com (J-Hearts) high na board e o seu adversário mostra (K-Clubs)(J-Diamonds). Poderia ter ganho mais do que ganhou com esta mão. Apostar no river nesta situação é uma value bet. Sabe que tem a melhor mão e quer colocar mais dinheiro no pot. Muitas pessoas pensam que uma value bet são entre 40% - 60% do pot, mas isto é um grande erro. Algumas vezes, a melhor value bet é fazer all-in. Se você acertou um straight no river com o seu (J-Clubs)(10-Hearts) quando a board era (5-Clubs)(K-Spades)(Q-Hearts)(6-Diamonds)(9-Clubs) e você pensa que o seu adversário tem (K-Hearts)(Q-Spades), um all-in seria uma value bet perfeita. Embora nem sempre funcione, quando funciona compensa. Se a sua value bet de $100 leva sempre um call, então se fizer all-in de $1,100, o seu adversário apenas terá de fazer call 1 vez para compensar. Este é um exemplo de uma over bet que funciona como value bet.

O erro que muitos jogadores fazem é olharem para a board. Apercebi-me disto pela primeira vez quando estive em Copenhaga para jogar o EPT PokerStars com o Hallinggol e o Check_Kills. Estava ver Hallinggol a jogar quando ele apostou $3,000 no river num pot com $3,500 com 77 quando na mesa estavam 9-8-8-5-2. Eu disse "por favor folda" e Hollinggol disse "wtf, por favor faz call, esta é uma value bet". O seu adversário fez call e fez muck. O que percebi na altura é que pouco importa o que está na mesa. Se bateu o flush no river e você não coloca o seu adversário no flush e pensa que ele tem um par menor que o seu, vá em frente a faça uma value bet. Tal como no bluff, tudo se resume à leitura.

Tem de ser certificar que tem uma mão mais forte que a do seu adversário. Depois terá de pensar qual a quantia máxima que ele fará call com aquela determinada mão. Não vá sempre pela opção mais fácil de fazer check no river.

Smallball Poker

Coluna Feita por: PokerNews Staff

É muito provável que já se tenha cruzado com este termo anteriormente: smallball poker. Mas o que é exactamente o smallball poker e quais as suas vantagens?

Se começou agora a jogar poker é natural que tenha rapidamente adoptado o hábito de jogar de forma agressiva as suas mãos mais marginais. Isso vai fazer com que o tamanho dos potes aumente com muita facilidade e muitas das vezes vai estar a meter todas as suas fichas no meio da mesa com apenas um par. Se fizermos uma pequena comparação com o Baseball, a sua estratégia é conseguir o maior número de home runs que conseguir. Atire uma bola para fora do campo e vai poder confortavelmente caminhar para a sua base. Nem tão pouco precisa de correr pois a vitória é certa.

Smallball é exactamente o oposto: vai com muita precisão colocar a bola entre o catcher e o pitcher e assim ter o tempo suficiente para chegar à primeira base. Como deve imaginar o smallball poker requer muito mais skill do que o longball.

Quando joga smallball poker vai fazer raise com muitas mãos, mas vão ser raises não muito grandes, cerca de 2,5 big blinds. Normalmente 3 raises em smallball equivalem a 2 raises em longball. Vai usar a posição como principal vantagem e fazer raise com uma larga range de mãos.

(5-Clubs)(6-Clubs)
(J-Hearts)(9-Hearts)
(A-Diamonds)(5-Spades)
(K-Spades)(10-Hearts)

O principal objectivo destes raises é fazer com que os seus adversários foldem as suas mãos, mas mesmo que isso não aconteça e leve call de uma das blinds não tem razão para ficar preocupado. Ainda lhe restam duas formas de ganhar a mão: acertar no flop ou então explorar a vantagem de jogar com posição.

Imagine que está na big blind e à sua direita tem um jogador claramente a jogar smallball e a fazer raise em todas as mãos em late position. Você sabe que ele não vai ter sempre (A-Diamonds)(K-Diamonds), mas o seu (Q-Hearts)(J-Clubs) também não é nenhum monstro. Mesmo assim você decide fazer o call e o flop traz para a mesa (A-Spades)(4-Spades)(7-Hearts). Você falhou completamente o flop e opta por fazer check. O jogador de smallball faz uma moderada continuation bet e você folda. Ele pode não ter nada, mas você também não quer correr riscos.

É assim que um jogador de smallball ganha as suas fichas. Ele não tem interesse em ver um showdown, a sua maior preocupação passa por ganhar o pote pré-flop ou no máximo no flop e muito raramente vão querer ver o turn e o river. Estes pequenos potes vão garantir o aumento da sua stack sem que corram grandes riscos. Foldar pos-flop é apenas umas das suas armas no caso de encontrarem resistência por parte do adversário e aí vão foldar e esperar por um melhor spot (ou por um melhor adversário).

Nos cashgames você pode jogar sempre smallball, mas em torneios chega a uma determinada altura em que esta estratégia já não vai resultar e deixa de ser opção. Só pode usar esta estratégia nas fases iniciais dos torneios, em que as blinds ainda são relativamente pequenas. Quando as blinds aumentarem e passarem a representar uma percentagem significativa da sua stack você vai ter que passar a jogar longball, quer goste ou não. Vai jogar muitos potes grandes e muitas das vezes vai ter mesmo de colocar todas as suas fichas no meio da mesa.

A estratégia smallball não pode ser usada por qualquer jogador, uma vez que vai estar a jogar com uma larga range de mãos e precisa de ser um jogador experiente no pos-flop para que não se meta em problemas. As decisões são frequentemente muito mais difíceis em comparação com mãos em que vai acertar top pair com (A-Spades)(K-Hearts). Muitas vezes vai ter de decidir se o seu (7-Hearts)(9-Hearts) é a melhor mão numa board com o flop (Q-Spades)(9-Diamonds)(3-Clubs). Esta é também uma das razões pela qual o smallball poker é jogado com posição.

Claro que um jogador de smallball também vai fazer os seus all-ins aqui ou ali e no caso de jogar um uma mão até ao showdown ele vai normalmente mostrar nuts.

Suited Connectors

Coluna Feita por: Lawrence Shaw

Muitas vezes ouve jogadores dizerem que os suited connectors são as suas mãos favoritas, mas porquê? O que é que estas mãos têm de tão lucrativo, ou mais importante, como é que joga estas mãos de forma lucrativa?

Uma das razões pela qual os suited connectors são uma arma importante no seu arsenal é pelo facto de a maioria dos jogadores já ter pré definido o top 10 das mãos iniciais. Como resultado, os jogadores têm de começar a variar o tipo de mãos a fim de evitarem a previsibilidade.

Suited connectors são duas cartas do mesmo naipe e que estão em sequência, como por exemplo, (5-Hearts) (6-Hearts) ou (10-Spades)(J-Spades). Será boa ideia agrupar os suited connectors em três diferentes grupos:

Suited connectors baixos: 2-3, 3-4, 4-5, 5-6, 6-7
Suited connectors médios: 7-8, 8-9, 9-10
Suited connectors altos: 10-J, J-Q, Q-K, K-A

Vamos começar pelos suited connectors baixos. Acho que consigo dar-vos um bom conselho sobre estes; simplesmente não os jogue! O objectivo de começar a jogar os suited connectors, é variar um pouco a sua selecção de mãos, mas se começar a jogar todos os suited connectors vai variar demais as suas mãos iniciais, que resultará num estilo de jogo muito loose. Assim que definir alguns dos suited connectors altos e médios como mãos inicias, vai conseguir variar o seu jogo, o suficiente para lucrar com isso. Portanto pode bem esquecer as mãos baixas.

Claro que existem algumas situações onde vai jogar os suited connectors baixos. Se estiver na big blind e nenhum jogador fizer raise ou quando está na small blind e já estão 4 ou 5 jogadores no pote, facilmente fará limp. Mas tenha sempre muito cuidado, pois pode acertar uma boa mão no flop, como por exemplo um flush, e pode já estar drawing dead para um flush superior. Não esquecendo também os A-High/K-High flush draws que também tornam a sua mão bastante vulnerável.

Os suited connectors médios são sem dúvida mãos que vai querer incluir no arsenal das suas mais iniciais. Estas mãos jogam-se melhor enquanto tem uma imagem tight na mesa, uma vez que os jogadores que estiverem atentos vão facilmente colocá-lo em cartas altas. Como resultado, vai conseguir enganar os seus adversários ao jogar os suited connectors médios.

Existem no entanto algumas coisas que deve ter em atenção enquanto joga este tipo de mãos. Primeiro de tudo: Não faça raise (!) se não estiver disposto a fazer uma bet grande e continuar a apostar no flop. Quando faz raise com este tipo de mãos, o seu objectivo é dar a entender que está a jogar cartas altas. Se não estiver disposto a fazer um raise forte com estas mãos, mais vale não jogá-las.

Então, tenha sempre consciência da sua imagem na mesa antes de jogar estas mãos. Um raise com suited connectors médios, tem como objectivo variar a sua estratégia de jogo tight-agressive. Se não tiver uma imagem tight-agressive na mesa, então o seu raise influenciará pouco o jogo uma vez que será visto como um raise de um jogador que faz raise tantas vezes como qualquer outro na mesa. Portanto, se não conseguir criar a impressão de que está a jogar um monstro, deverá apenas fazer call pré-flop, ou ainda melhor, um simples fold.

Os suited connectors altos, são mãos que muitas vezes são sobrevalorizadas. Alguns jogadores muitas vezes assumem que uma mão do tipo (K-Hearts)(Q-Hearts) vai automaticamente acertar num top pair com upper-down e flush draw. Nunca se deve esquecer, que o facto de ter cartas suited, apenas vai aumentar 2,5% as suas hipóteses de ganhar a mão.

A força dos suited connectors reside no facto de que são mãos muito flexíveis para jogar. Você não vai acertar no nuts com muita frequência, mas algumas vezes vai acertar uma mão aceitável ou flopar um bom draw, às vezes até um pouco de ambos. São mãos semi-fortes, o que significa que tem sempre de ter cuidado ao avaliar a força de sua mão, em comparação com a mão dos seus adversários. Tenho a certeza que todos vocês já passaram por situações em que acertaram num par de J's com Q-J e acabaram por perder a mão contra AJ.

Em late position, vai jogar muito mais vezes os suited connectors altos do que os baixos, pois vai tirar partido da sua posição e do facto de já ter informação dos jogadores que agiram anteriormente. Um raise do seu adversário dar-lhe-á informação sobre a mão que está a segurar. No entanto, um call da sua parte não vai dar grande informação ao outro jogador sobre as cartas que está a jogar. Se sabe, por exemplo, que o seu adversário gosta de fazer raises em middle position com pares médios, você pode fazer o call e depois, no caso de acertar no flop, fazer raise à C-Bet no flop.

Você pode jogar mãos fortes sem posição e pode jogar mãos fracas com posição, mas o que não pode fazer é jogar mãos fracas ou semi-fortes sem posição e esperar ter lucro no longo prazo.

Muitos dos jogadores de Hold'em, procuram várias vezes uma desculpa para jogar uma mão, e quando recebem duas cartas do mesmo naipe e sequenciadas é razão suficiente para se envolverem no pote. Portanto, esteja atento para não ficar enredado numa espiral em que você comece a jogar mais e mais mãos. Os suited connectors têm o potencial para ganhar grandes potes, mas no final do dia continuam a ser apenas duas cartas desemparelhadas que, muitas vezes, tendem a ser cartas baixas ou médias.

sábado, 3 de janeiro de 2009

Bankroll

Coluna Feita por: Raúl Oliverira
Editado por: Johnny Régis Fusinato

Nunca é demais insistir nesse assunto, já que todo jogador passa pela necessidade de aprender a controlar o seu caixa.

Por que um cassino quase sempre ganha o dinheiro dos jogadores? A primeira resposta que vem à nossa cabeça é: porque ele tem mais de 50% de chances nos jogos que oferece. Isso é uma verdade, mas eu garanto para vocês que não é o único
fator. E ainda digo mais: caso o cassino jogasse com 49% de chances (contra 51% para os jogadores) ele ainda assim ganharia dinheiro, e muito. E o porquê disso é muito simples: bankroll. O cassino não quebra e está sempre disposto a mais uma rodada; já o jogador tem seu bankroll bem limitado e tem que parar toda vez em que
perde o seu dinheiro, pois não tem mais como continuar.

Bankroll é dinheiro, então é claro que quanto mais houver, melhor. Mas existem alguns estudos que mostram quais os bankrolls mínimos para se suportar as oscilações naturais de cada modalidade de jogo ou torneio. Mostrarei aqui alguns exemplos:

Sit-and-Go - No caso dos sit-and-go, o mínimo que você precisa ter é 15 vezes o valor da inscrição, caso você jogue de um em um e se sinta seguro com o nível dos jogadores no valor escolhido. Para poder ter mais tranqüilidade, eu aconselho que você tenha 20 vezes o valor da inscrição.

Cash Game - O bankroll para o cash game é bem maior do que você pode imaginar. No caso da minha especialidade, o limit game, um número bom para se ter na cabeça é de, no mínimo, 150 vezes o big bet, mas também aconselho, para que se sinta seguro, ter 200 vezes o valor do big bet. Isso quer dizer, por exemplo, que se você jogar em uma mesa $5-$10, o ideal é que tenha $2.000 de giro, mas pode ser a partir
de $1.500, se você sentir que está acima da média dos jogadores. Não confunda big bet com big blind – os jogos fixed limit costumam ser nomeados por small bet e big bet. O small bet é a aposta no pré-flop e flop, já no turn e river a aposta é o big bet. Portanto, um jogo fixed limit 1/2 costuma ter small blind de 0,50, big blind e small bet de 1 e o big bet de 2. Espero que não tenha ficado confuso para os que só jogam a modalidade no limit. Já no caso do no limit, penso que um bankroll seguro está na faixa de 15 a 20 vezes o valor do buy-in da mesa, ou seja, no caso de uma mesa NL5-10, entre $15.000 a $20.000 de bankroll.

Esses valores acima não são uma verdade absoluta, até porque de acordocom cada estilo de jogador a oscilação pode ser maior ou menor, mas o importante nesse artigo é mostrar que, caso não se respeite o bankroll corretamente, você nunca terá a noção real do seu desempenho nas mesas em que estiver jogando, já que, dependendo da relação aposta X bankroll, várias vezes você irá quebrar mesmo em um jogo onde tinha mais de 50% de chance de ganhar.

Entendendo isso, fica fácil visualizar como um bankroll baixo nos passa falsas impressões quanto a adversários e nível do jogo em geral. Além disso, não respeitar o seu bankroll faz com que a possibilidade de subida do valor da mesa em que se joga fique muito mais lenta.

É claro que tudo isso em palavras é muito bonito e parece bem simples, mas é preciso imensa disciplina e seriedade para lidar com o seu bankroll na prática. Eu mesmo,
no início da minha carreira, quando comecei a jogar no PartyPoker, quebrei várias vezes por não respeitar o meu bankroll. De qualquer forma, ter o valor da importância desse controle levado a sério em sua mente já é um bom começo.

Não jogue em mesas ou torneios que não pode suportar, só para construir uma imagem ou ter uma chance de ser reconhecido pelos outros. Todo mundo começou jogando em limites baixos e foi subindo aos poucos, dentro de suas realidades.

Entrar em um evento mais caro ou em mesa acima do seu limite só para provar a alguém ou a si mesmo que você é capaz, não costuma ser uma boa idéia, nem acabar bem.

Todo jogador já passou por situações de altos e baixos, e a perda do controle ao lidar com o bankroll é quase sempre uma das razões que leva o jogador para o buraco. Tenha paciência e saiba esperar seu momento – garanto que você terá muito mais
estabilidade.


Abraço a todos!



Raul Oliveira é nascido no Rio de Janeiro e um dos pioneiros do Texas Hold'em no Brasil, como criador do site Clube do Poker. Especializado em cash games de Limit Hold'em, mesmo assim possui um dos mais importantes resultados entre os brasileiros em torneios – um 40º lugar no Main Event do WPT Five Diamond World Poker Classic 2006, no Bellagio, Las Vegas.

Tells

Coluna Feita por: Fábio Cunha
Editado por: Johnny Régis Fusinato

Perguntavam se eu acreditava na possibilidade de “pegar” uma reação involuntária de um jogador, que desse alguma dica ou revelasse a força de sua mão.

Vale lembrar que este é um assunto extremamente abstrato. Muitas vezes, o que funciona com um jogador não funciona com outro. Dessa forma, recomendo a utilização desse artigo apenas como um “guia introdutório”. Essas são algumas informações sobre tells que eu utilizo no meu jogo e aprendi com o tempo, experiências de observação na mesa e também com livros. Para quem quiser se aprofundar mais, eu recomendo o livro “Caro’s Book of Poker Tells”, do Mike Caro (em inglês).

PISTAS

O princípio básico dos tells diz que as ações de um jogador na mesa costumam significar exatamente o seu contrário, ou seja, se alguém faz uma aposta falando o valor alto, ou de modo intimidador, ele geralmente não tem uma mão tão forte assim. Da mesma forma, se você ouvir alguém sussurrando o valor da aposta, fique com medo, pois geralmente essa pessoa está montada no jogo.

A partir do princípio acima, já fica possível discernir algumas inforinformações bem interessantes. Quem já não se encontrou nesta situação? Você está numa mesa quando um jogador antes de você dá um raise. Ao olhar suas cartas, você vê uma
mão forte, mas não o nuts. Algo como JJ ou AK, talvez. Você resolve aumentar a aposta, novamente. Todos dão fold até o jogador antes de você, que pensa um pouco, dá um grande suspiro, como se estivesse desanimado, ou ainda fala algo
como: “Bom... fazer o quê, né? Vamos lá.” Ou ainda algo como: “Pelo menos ainda pego o cash game se for eliminado...” E empurra suas fichas para o centro da mesa,
declarando-se all in. Eu diria que, na imensa maioria das vezes, esse jogador tem KK ou AA em sua mão.

GESTOS E POSTURA

Eu gosto muito de observar as mãos dos jogadores quando eles estão apostando. Com o tempo, acabei notando que, quando um jogador faz uma aposta que é um
blefe, além de ele geralmente jogar suas fichas no pot, suas mãos costumam fazer um movimento involuntário, projetando-se para a frente e levantando os dedos, como se
estivesse me mandando embora. O jogador cuidadoso, que calmamente coloca suas fichas no pot, geralmente não está blefando.

A inclinação de um jogador em relação à mesa é mais uma coisa a ser observada. O princípio é o mesmo: se o jogador faz uma aposta e fica inclinado para a frente, praticamente com os cotovelos em cima da mesa, ele geralmente não tem uma
mão forte. Ele projeta seu corpo em sua direção como uma forma de intimidação. Por outro lado, se o jogador está jogado em sua cadeira, inclinado para trás, mostrando tranqüilidade e ao mesmo tempo, quase ou nenhuma agressão, tome muito
cuidado. Esse jogador quer ter você no pot com ele.

NERVOSISMO

Outro ponto interessante é o fato de um jogador “tremer”. Esse é provavelmente o primeiro tell que as pessoas aprendem a observar, por que ele não é nada discreto.
Dificilmente você deixa de notar um jogador tremendo à sua frente. O mais interessante disso tudo é que a maioria das pessoas tem uma percepção
totalmente equivocada quanto à real natureza desse tell. A grande maioria acha que quando alguém está tremendo, está blefando. Pois bem, é justamente o contrário! Se
você estiver jogando um pot com alguém e este começar a tremer, fique atento. Se esse jogador for um iniciante, pode sair correndo, pois ele tem o nuts ou muito próximo disso.

A mão na boca é outro tell interessante. Um jogador que ao apostar coloca a mão na boca, escondendoa, geralmente não tem uma mão forte. No entanto, esse é um tell
que algumas vezes não funciona muito bem, pois para alguns jogadores significa justamente o contrário. Então fique atento e note quando alguém está com a
mão na boca, se este tem uma mão forte ou não. Com isso você consegue descobrir se a mão na boca dele quer dizer força ou medo.

Com os olhos é a mesma coisa: se a pessoa encara você, intimidando, ela tende a não ter uma mão tão forte quanto alguém que olha para longe, tentando parecer desinteressado. No entanto é mais um tell que se mostra “traidor” algumas vezes. O grande jogador André Akkari utilizou esse tell com maestria em uma
mão contra o top player Patrick Antonius no EPT da França, há cerca de dois anos. Novamente, foram as ações passadas desse jogador que lhe permitiram notar quando ele tinha uma mão forte e quando estava blefando.

Acredito que grande parte dos jogadores de hoje utilizam óculos não para esconder seus tells, e sim para dar tranqüilidade quando tem alguém os encarando durante uma
mão.

Tenho certeza que, se ficarem atentos, no próximo torneio live vão notar muitos desses tells ocorrendo. No início é normal ter um pouco de receio quanto a eles e não confiar tanto no que seus olhos estão vendo. Com o tempo a confiança vai aparecer
e a tendência é que vocês notem isso com mais e mais freqüência e passem a utilizar como uma ferramenta no jogo.

Apesar de ser importante, vale relembrar que é apenas mais uma ferramenta. Se você resolver jogar baseando-se puramente em tells, fatalmente vai quebrar no jogo. O
mais interessante é você combinar esse conceito com inúmeros outros, como padrão de apostas de cada jogador, pot odds, momento do torneio, seu stack em relação às
blinds, e muitos outros. E isso é só para torneios. No cash game saem alguns conceitos e entram outros.

Em alguns blogs na internet e artigos nas publicações estrangeiras é comum vermos jogadores comentando que fulano ou sicrano tem bons “poker instincts”. Esses “instintos” são apenas uma combinação de todos esses conceitos e fatores
que passam pela cabeça do jogador, o que acaba resultando na sua decisão. Definitivamente não é algo fácil de explicar e menos ainda de fazer. Mas tudo
tem um começo, e isso vai se formando aos poucos na cabeça de cada um.

Minha sugestão final pode ser definida em uma palavra: atenção. Se você ficar atento na mesa a cada aposta, estando envolvido ou não, você vai adquirindo informações
valiosas sobre os jogadores. No jogo online, preste atenção nos padrões de aposta e freqüência com que cada jogador entra numa mão. No live, ainda tem os tells para lhe ajudar. Preste atenção nisso e tenho certeza de que seu jogo irá evoluir muito.



Fábio Cunha, natural de São Paulo, é o criador e moderador da comunidade Poker Mania no Orkut, além de ser um dos melhores jogadores brasileiros na modalidade
Omaha Hi-Lo.

Heads Up

Coluna Feita por: Cristian Kruel
Editado por: Johnny Régis Fusinato

Heads Up - De mano a mano

Aprender a ajustar sua estratégia para o jogo mano-a-mano irá lhe provar ter sido um dos melhores investimentos que já fez.

Jogar em heads-up é a forma mais subjetiva em que o Hold'em se apresenta, e por isso vou explicar aqui o que penso quando estou nesta situação e como gosto de jogar. Notem que tudo aqui descrito é a forma como eu me sinto bem em heads-up, e não o que é mais certo ou errado de se fazer. Como sabem, ou deveriam já saber a essa altura, no poker não há uma verdade absoluta ou uma só maneira de estar certo ou errado.

Nos últimos meses joguei cerca de 400 heads-up, principalmente na faixa de 1K, e meus resultados têm sido muito bons. Foi assim que tive a idéia de compartilhar com vocês esta coluna, até porque jogar em heads-up envolve muita lógica e raciocínio, e isso nós adoramos, não é mesmo?

Um fato incontestável é que, para se jogar bem um heads-up, é preciso rapidamente
identificar o estilo do seu adversário e, em função disso, traçar a sua estratégia. Também é importante saber que não existe uma cartilha para o heads-up, portanto você terá que experimentar bastante e essa experimentação aumentará o seu raciocínio e o tornará mais rápido. Em conseqüência de tudo isso, você passará a diminuir seus erros. Outro fator fundamental no heads-up é o valor da High Card: mãos como Ax e Kx passam a ter um valor muito mais alto do que teriam em um jogo de mesa cheia.

Em qualquer heads-up existem duas situações de jogo: em uma você está no small blind (SB), sendo o primeiro a falar antes do flop, e o último depois dele. E na segunda, quando você é o big blind (BB), que age depois no préflop e antes após o mesmo. Das duas, a mais difícil é a primeira, já que você faz sua jogada sem ter nenhuma informação inicial. Quando se está na posição de BB, sua jogada no pré-flop passa a ser uma resposta à jogada do adversário, o que torna a análise de situação um pouco mais simples e menos arriscada.

Como falei antes, identificar o estilo de seu adversário é essencial: para cada tipo de jogador deve-se adotar uma forma de jogar, sem precisar fugir da essência do seu jogo, mas sim ajustá-la em função do outro. Vou dividir os adversários em três tipos e discorrer sobre qual encaro ser a melhor estratégia contra cada um dos tipos apresentados.

Tight – Dá fold em 50% ou mais dos SB e em 80% ou mais dos BB quando a mão vem com raise.

Acho que esse é o melhor jogador para se jogar contra, já que a leitura fica simples e as decisões são mais fáceis. Nesse caso, acho que você deve jogar de forma agressiva, mas sem entrar de all in nas mãos, uma vez que ele só pagará quando estiver com uma mão muito forte. Penso que um raise de 2,5BB é suficiente contra um jogador desse tipo. O cuidado a ser tomado é quando se está no BB, já que mãos consideradas boas num heads-up perdem um pouco do valor contra esse estilo de jogador. A estratégia a ser tomada, ao meu ver, é espremê-lo contra a parede e ir tomando as fichas aos poucos. Quando entrar em uma proporção de fichas com cerca de 30%x70%, tanto para um lado quanto para o outro, acho que deve-se entrarde all in nas mãos já que, por se tratar de um jogador tight, o saldo se torna positivo. Isso, é claro, nas mãos em que você decidir jogar, não em todas.

Passivo– Quase não dá raise, mas completa quase toda mão quando está no SB e paga os raises baixos quando está no BB.

Nesse caso, valorize mais as mãos com maior poder de aposta no pósflop, como por exemplo os jogos suiteds e os connectors. Quando vier com mãos fortes, dê um raise baixo; não complete apenas, já que na maioria das vezes ele irá pagar seu raise e maximizará sua vitória. Tenha paciência contra esse tipo de jogador e aproveite também o fato de ele gostar de ver flops quando você tiver mãos ruins. Como ele geralmente não aumentará muito pré-flop, você também ganha a chance de ver flops grátis ou muito baratos, e o jogo pós-flop se torna uma das suas principais armas contra ele.

Agressivo – Dá raise em 80% das vezes que está no SB, sendo algumas de all in, e volta re-raise em 40% ou mais, nas vezes em que a mão vem com raise.

Nesse caso, quando você estiver no BB, o melhor a fazer é esperar uma mão boa para decidir o torneio. No SB, é melhor dar um raise com possibilidade de volta quando tiver uma mão boa e um raise forte ou até mesmo um all in quando tiver uma mão boa com um High Card ruim, tipo 89s ou TJo, já que essas mãos são boas para se decidir um torneio, mas ruins para se pagar um all in.

Esse é o tipo de oponente mais perigoso, aquele que fará com que o heads-up dure apenas alguns minutos. Saiba que também não adianta esperar muito até encontrar a mão perfeita contra ele, já que ele atacará seus blinds incessantemente. Como expliquei, escolha uma mão sólida e o ataque de volta, assim ele tende a dar uma leve recuada e você pode aproveitar um melhor momento para decidir.

melhor momento para decidir. Se ele não recuar, e muitos não o fazem, estude bem a melhor oportunidade e dê a ele o que está pedindo: entre em uma mão de all in pré-flop, desde que tenha escolhido boas cartas para o embate.

Em situações de heads-up, às vezes é mesmo inevitável a decisão paciente que você pode preferir. Por isso digo que cada experiência adquirida jogando heads-up certamente trará resultados futuros para o raciocínio do jogador. Não despreze as oportunidades de praticar nessa situação – entre em minitorneios heads-up ou sit & gos e treine constantemente.

Como disse, esse é apenas um pequeno sumário do se que passa na minha cabeça quando jogo um headsup, mas é uma bela linha de estratégia a ser planejada. Dependendo do seu estilo, você pode usar minha estratégia como base e adaptar em cima do seu jogo, chegando a encontrar o seu próprio estilo vencedor para situações de heads-up.

Um fator muito importante nos heads-up, para mim, é a pressão, e vou dar uma dica aqui que considero muito valiosa, como no exemplo :

Você tem 2.000 fichas contra 1.000 fichas do seu adversário e os blinds já estão em 50/100. Está sendo um headsup demorado... Nesse tipo de situação eu vou dar all in todas as vezes em que tiver um K, um A, um par ou duas cartas acima de nove!

Mas por quê? Porque quando você tem essas cartas, elas são favoritas contra jogos aleatórios, que geralmente contém uma ou duas cartas abaixo da média. Pense sobre isso! É uma grande dica!

Além disso, devese levar em conta em que tipo de heads-up você se encontra: é um heads-up de final de sit-and-go, é um sitand-go ou torneio de heads-up, uma final de um grande multitable ou até mesmo um cash game? Existe muita diferença entre todos esses casos, seja em relação aos stacks e blinds ou até mesmo quanto ao estado de cansaço físico e psicológico em que você e seu adversário se encontram.

Cada caso desses pode exigir pequenos ou grandes ajustes em diversos fatores de sua estratégia, e a cada heads-up jogado você irá adquirir mais experiência para poder tomar suas decisões e realizar os ajustes necessários para cada situação.

Boa sorte, galera, e, como sempre digo, pratique e seja um bom jogador em heads-up pois, mesmo quando você está jogando em uma mesa cheia, as jogadas geralmente terminam no enfrentamento entre você e apenas outro jogador! Um grande abraço e até a próxima!



Christian “CK” Kruel É nascido no Rio de Janeiro e um dos pioneiros do Texas Hold'em no Brasil, como criador do site Clube do Poker. É o brasileiro com maior experiência internacional, tendo alcançado diversas mesas finais em etapas do WPT.

Monster Field

Coluna Feita por: Igor Federal
Editado por: Johnny Régis Fusinato

MONSTER FIELDS - Que estratégias usar quando você encara um torneio com milhares
de jogadores?

Um grande número de pessoas, quando tem a oportunidade de conversar comigo, quase sempre repete a mesma pergunta: Como você faz para chegar na reta final de um torneio de field enorme? Que estratégia você usa? Qual é a melhor estratégia?


Neste último ano:

* Ganhei dois torneios Sunday Million Second Chance do PokerStars, com field de cerca de 1.500 jogadores.

* Cheguei na mesa final de um Sunday Million do PokerStars, com cerca de 2.600 jogadores.

* Cheguei em 314º no WSOP Main Event, com quase 9.000 jogadores; depois de jogar durante quatro dias – média de 12 horas por dia.

* Fiz mesa semifinal do Sunday Million em outra ocasião, com média de 5.000 jogadores.

* Fiquei em 10º no US$400.000 garantido do FullTilt, com média de 2.500 jogadores.


Acredito que, para se dar bem em torneios com fields enormes, você tem que adotar basicamente uma destas duas estratégias:

1 - Jogar com muita paciência o tempo todo, esperando o erro dos adversários, e não se envolvendo em confusões desnecessárias.

2 - Jogar muito ativo e agressivo desde o começo, procurando dobrar logo nos primeiros níveis de blind. Alterno estas duas estratégias constantemente. Na primeira você se manterá vivo dentro do torneio por mais tempo (isso acontecerá na maioria das vezes em que você jogar desse jeito, é claro), já que não irá buscar grandes confusões, não dará grandes blefes, nem pagará grandes apostas em situações em que você não tenha certeza de que esteja ganhando. Estará quase sempre vivo, mas também quase todas as vezes abaixo da média das fichas dos demais jogadores daquele torneio.

Isso facilitará que você fique ITM (In The Money), ou seja, que você busque uma colocação que lhe traga algum retorno sobre o capital investido. Mas, em compensação, dificilmente fará com que você lute pelas primeiras colocações desse torneio, uma vez que essa estratégia exigirá uma reta final over aggressive e com muita sorte para recuperar o campo perdido (no início e meio do torneio) em comparação com aqueles jogadores que resolveram se arriscar desde o princípio.

Não se esqueça: toda vez que dois jogadores se enfrentam apostando todas as suas fichas, um deles cai precocemente, mas o outro dobra seu stack e fica bem maior que os demais. Parece óbvio, mas nunca é demais lembrar. Se alguém caiu... alguém ficou grande.

Logo, se você não se envolveu em potes gigantescos, nem arriscou todas as suas fichas de bobeira, você não será eliminado facilmente. Mas também não ficará tão grande quanto alguns outros jogadores.

Para essa estratégia, só jogue mãos fortes (par alto – TT, JJ, QQ, KK, AA ou AKo, AKs, AQs) ou mãos médias em potes baratos e com boa posição (AJ, AT, AXs, qualquer par menor ou suited connectors).

Se não bater suas cartas no flop, aceite e não insista. Espere uma melhor oportunidade.

Se bater seu par, por mais que tenha um kicker alto, não aumente muito. Ganhe e perca potes pequenos.

Só arrisque seu stack com trincas, fulls, seqüências e flushes já formados. Não pague muito caro por drawing hands.

Como mãos fortes assim são raras, você tende a ficar com um stack pequeno perto daqueles que estão “enfiando a marimba” e arriscando suas fichas a todo momento. Não se importe, siga sua estratégia.

Jogando assim, dificilmente você cairá antes de sobrarem 20% a 25% dos jogadores. Isso lhe dará enormes chances de ficar ITM. Mas, como já disse, a tendência é que você seja um dos menores entre os jogadores restantes.

É obvio que, mesmo jogando assim, você pode cair logo no começo, mas será numa mão de exceção, onde você está com seqüência fechada e um outro jogador que está trincado vai all in. Você paga imediatamente – estando na frente – e uma carta dobra na mesa e “bye bye”; full para seu adversário e você vai dormir mais cedo.

Da mesma forma você também pode ficar grande, mesmo jogando fechado (tight). Imagine este mesmo exemplo acima, só que nenhuma carta dobra na mesa e você elimina seu adversário e dobra suas fichas.

Mas o que pretendo dizer é sobre tendências. Na maioria das vezes você tende a estar vivo, mas tende a estar sempre abaixo da média (average do torneio) e bem abaixo dos líderes.

Para finalizar, essa estratégia exigirá, após ter entrado na faixa de dinheiro, que você seja muito agressivo. Os líderes estarão muito distantes e você terá que recuperar terreno. Você também terá que ter mais sorte que o habitual, pois os jogadores que
têm muitas fichas poderão se dar ao luxo de perder alguns potes grandes sem ser eliminados. Já para você, como está menor que os demais, enfrentando blinds bastante altos, qualquer pote perdido será a eliminação.

Pontos positivos dessa estratégia (1):

* Será respeitado como jogador sólido (jogadores loose, mesmo que geniais, demoram mais para serem reconhecidos como bons).

* Na hora em que os blinds subirem, seus raises tendem a ser mais respeitados.

* Terá um índice de ITM espetacular.

Pontos negativos dessa estratégia (1):

* Muitas pessoas dirão que você não sabe jogar, simplesmente é paciente e disciplinado (perceba que existem tanto fãs quanto pessoas que não apreciam o estilo
de cada jogador).

* Na hora em que os blinds subirem, só terá um tiro na agulha. Se perder, é eliminado. E mesmo se dobrar, ainda não significa muito. Tem que dobrar e dobrar de
novo, no mínimo.

* Terá um índice de ITM espetacular, mas poucas vezes irá buscar a grana alta mesmo – os maiores prêmios encontram-se nas três primeiras colocações.

Já na segunda estratégia você será um dos primeiros a cair ou então ficará bem acima da média dos demais jogadores. “O spada, o sporta. O denti, o ganasa. O merda, o bareta rosa” como diziam os italianos. Para nós: “Ou tudo, ou nada. Ou vai, ou racha”.

Exemplos:

* No primeiro flush draw ou straight draw que aparecer, enfie um caminhão de fichas.

* Recebeu AK e um cara já deu raise na mão – re-raise pesado no adversário e vá para o pau.

* Arrisque metade do seu stack, se for preciso, em um blefe com pote gigante.

* Dê calls duvidosos.

* Bateu seu top pair, enfie ficha sem dó.

Isso irrita os demais jogadores da mesa. Eles sabem que não é possível que você tenha a melhor mão todas as vezes, então eles se irritam e ficam loucos para lhe pegar roubando. Querem ser a polícia da mesa! Pensam: “Ele está roubando e eu não vou deixar. Vou pegar ele na próxima. Eu vou pegar esse ladrão.”

Isso é tudo o que você quer quando usa uma estratégia como esta; pegar um cara que não aceita e se irrita com esse estilo.

Ele ficará propenso a não largar um par dele contra você por nada, pois sabe que a chance de você estar roubando é grande. E é mesmo!!!

Então o que vai acontecer é que:

(a) Se você estiver roubando ele vai te pagar com o segundo par da mesa e te eliminar. Ele ainda vai escrever no chat ou falar alguma gracinha, do tipo: “como você joga mal”, “você é louco”, ou “falei que iria te pegar”. Simplesmente saia da mesa sabendo que você somente seguiu conscientemente uma estratégia previamente
preparada. O que A, B ou C pensam não interessa. Sua lucratividade, essa sim interessa.

(b) Se você estiver “trepado em cima da goiabeira” (trincado, com flush, com straight), ele irá te pagar com uma mão fraca e você eliminará esse adversário, dobrará seu stack e ainda se colocará numa posição muito confortável para jogar o resto do torneio.

A partir daí você pode adotar esse estilo até que você chegue a três vezes o seu stack inicial. Uma vez atingido esse objetivo, você passa a jogar confortavelmente, aproveitando-se do desespero dos jogadores com poucas fichas e pressionando aqueles de stacks médios – que terão medo de te enfrentar, pois te acham louco e
sabem que você pode apostar tudo a qualquer momento. E eles não estão a fim de te enfrentar, a menos que estejam com muito jogo. Isso facilita para você roubar muitos potes dali para a frente daqueles de stack médio.

Você não está mais propenso a fazer loucuras, mas os demais jogadores ainda não sabem disso. Sua estratégia mudou, mas seus adversários podem continuar a pagar você com mãos marginais e você continuar subindo e subindo.

Uma vez que você triplicou, tem agora uma vantagem competitiva considerável, que faz com que você:

* 1/4 das vezes caia do torneio, mesmo estando grande, numa mão catastrófica (perto do ITM ou nas primeiras faixas de grana – dinheiro menor).

* 1/4 das vezes fique nas faixas intermediárias de dinheiro.

* 1/4 das vezes mantenha-se grande quase até o final e pegue um prêmio razoável (mesa semifinal ou equivalente).

* 1/4 das vezes vá buscar uma das primeiras colocações – dinheiro grande de verdade.

Pontos positivos dessa estratégia (2):

* Na hora em que os blinds subirem, você terá muita gordura para queimar e fichas
o bastante para pressionar inteligentemente os demais jogadores.

* Poderá se dar ao luxo de, eventualmente na reta final, perder um ou dois coinflips sem ser eliminado. Sua vantagem competitiva será anulada caso isso aconteça, mas
você ainda estará vivo no torneio.

* Terá um índice de ITM baixo, mas terá um índice de lucratividade enorme (ROI).

Pontos negativos dessa estratégia (2):

* Muitos te acharão um louco sortudo (metedor de ficha irracional). Eles não sabem que isso é pensado e premeditado. Só te reconhecerão como bom jogador depois que seus resultados se tornarem tão grandes e irrefutáveis que perderão o argumento.

* Se você tentar roubar os blinds, poucos acreditarão em você e o índice de re-raises tende a ser maior que o normal. Esteja preparado para isso.

* Tem que ter muito equilíbrio para adotar essa estratégia, pois muitos acharão que tem um louco por trás dessas atitudes. Mas é necessário exatamente o contrário; é preciso muita concentração para não se confundir no meio do que está fazendo. Se você se confundir, você deixa de parecer um doido e passa a ser um.

Alterne estas estratégias e veja qual delas se adapta mais ao seu estilo pessoal de jogo. Eu me preparei bastante e hoje consigo alternar ambas com muita freqüência, o que dificulta muito para os adversários me lerem. Eles nunca saberão exatamente como te enfrentar, em que estilo ou anotação te incluir. É o que chamam, em inglês, de
changing gears (mudando marchas).

Para ter uma idéia, nos dois Sunday Million e no WSOP em que joguei, usei a estratégia 1.

Já nos dois Second Chance e no 400K Garantido, usei a estratégia 2.




Igor “Federal” Trafane É natural de São João da Boa Vista e reside em Campinas, SP. Seus maiores feitos no poker foram uma mesa final no Sunday Million do PokerStars e a 314ª colocação no Main Event da WSOP 2006, que teve 8.773 jogadores.

E é apoiador total da nossa comunidade

Abraço.

Bad Beats "O River Milagroso"

Coluna feita por: Fábio Cunha
Editado por: Johnny Régis Fusinato

Bad Beats?

É difícil passar um dia no orkut sem que alguém poste algo sobre uma mão que era favorita até o turn ou o river e então... bate a carta milagrosa do adversário (ou, como veremos daqui para a frente, não tão milagrosa assim).

Aposto que todo mundo que já disputou algum torneio já ouviu essa conversa: “Nossa... tô muito bravo, eu tinha A♥K♦ e perdi para 7♣8♣!” Ou então, a frase campeã: “Putz... eu tinha AA e perdi para xx (coloque aqui quaisquer duas cartas).” Ou ainda: “Poker online é uma porcaria, sempre perco com a melhor mão.”
Eu já jogo poker há algum tempo, particularmente Texas Hold’em, e posso dizer com uma certa segurança que já vi e sofri todas as bad beats possíveis e imagináveis.
Sem sombra de dúvida, a maioria das jogadas de que o pessoal reclama não é bad beat, e sim mãos nas quais eles são ligeiramente favoritos e perdem.
Além disso, as pessoas tendem a ter memória seletiva, e não costumam lembrar das vezes em que acharam uma carta milagrosa no river, ou então quando tinham a melhor mão e ela venceu. Não... eles só lembram das que perderam.

Pensando nisso resolvi criar algumas situações e exemplos de mãos que geralmente costumamos ver, para saber quais podemos chamar de bad beats, e quais são situações normais de jogo. Todas as porcentagens foram calculadas utilizando o programa PokerOdds versão 2.52, com um valor de amostragem de 100.000 mãos.

PAR SOBRE PAR E MÃOS DOMINADAS

Numa mão na qual alguém tem 7♣7♠ e alguém tem 9♦9♣, o par de 9 sairá vencedor em 81,2% das vezes.N uma mão na qual alguém tem A♦K♦ e alguém tem A♣9♣, o
AK sairá vencedor em 68,9% das vezes.
Note que, pré-flop, é difícil você estar melhor do que nas situações acima e, mesmo assim, você vai perder uma vez em cada cinco com um par maior. Mesmo assim, as
duas situações acima consistem em bad beats, caso a melhor mão perca.

ALGUMAS MÃOS MAIS INTERESSANTES

A♣9♦ vs K♥T♥- O A9 é apenas 53,8% favorito A♣Q♦x 7♠8♠- O AQ é apenas 58,1% favorito A♣K♥ x 2♦7♠ - O AK é 66,9% favorito A♥K♥contra duas cartas quaisquer, o AK vence em 66,1% das vezes. Deu para ver pelos exemplos acima que ter a carta mais alta antes do flop, quando não é par ou quando você não tem o adversário
dominado, não é grande coisa. Você vai perder duas em cada cinco vezes, no mínimo, em qualquer uma das situações acima.

DEPOIS DO FLOP, A COISA COMPLICA MAIS AINDA

Vamos supor que você tenha A♥K♥. Você dá raise pré-flop e um jogador dá call. No flop vem A♠6♦9♦. Você aposta... e ele volta em você all in. Você, todo feliz, paga. Ele então abre 7♦8♦. Você acha que está muito na frente? Pois saiba que você vai perder
essa mão em 56,2% das vezes. Mesmo se o flop viesse algo como A♠3♦Q♦, você ainda perderia em 36,5% das vezes. Os flush draws acertam com essa freqüência.
Ou então você entra numa mão com 8♣8♠. O flop vem 2♥3♥7♠. Mais uma vez você dá all in e o adversário dessa vez mostra A♥K♥? Você é favorito? Quem acha que é, errou de novo. Você perde essa em 55,1% das vezes.

A FORÇA DO AA

E o par de Ases? Ele parece invencível, né? Você resolve então não dar um raise muito grande, para manter o maior número possível de jogadores na mão e ganhar um pot monstruoso. Veja a força do AA contra mãos randômicas, e contra mais de um jogador:
AA contra um jogador vence em 85% das vezes; contra dois jogadores vence em 73% das vezes e contra três jogadores vence em 63,6% das vezes. Viu como vai piorando? E isso é pré-flop, pois piora ainda mais se aparece no board algo como 5x6x7x, algo dobrado como KKT, ou coisas do tipo. Por isso, sempre tenha em mente algumas coisas antes de reclamar de uma bad beat:

* Você jogou corretamente a mão em cada rodada de apostas? Ou deu chance de alguém lhe dar um suckout?

* Poker é um jogo de longo prazo. Você não mede seus resultados em um dia, e sim em um ano.

* Se sua mão não dominar a mão do adversário, mesmo com a pior mão ele vai conseguir ganhar de você com uma boa freqüência.

* Marque as pessoas que lhe deram bad beats com jogadas fracas. No online, coloque uma anotação. No live, lembre-se da pessoa. Da próxima vez, você saberá que tal jogador não joga bem e poderá ajustar sua estratégia de acordo.

E, lembre-se, todo jogador, profissional ou amador, bom ou ruim, iniciante ou experiente, vai tomar várias bad beats na vida. Faz parte do jogo. O grande jogador Bobby Baldwin dizia que, quando alguém joga bem, essa pessoa vai receber muito mais bad beats do que aplicá-las. Um bom jogador, quando está all in, geralmente
tem a melhor mão. Então, por incrível que pareça, as bad beats acabam mostrando que você, pelo menos em grande parte do seu jogo, está tomando a maioria das decisões certas.

Se você acabou de levar uma grande bad beat, evite abrir outras mesas ou torneios online. Vá assistir televisão ou dar um passeio (o videogame, nessas horas, é salvador
pra mim). Jogando ao vivo, quando possível, dê uma voltinha de pelo menos cinco minutos. Você vai perder umas mãos e uns blinds, mas é melhor do que entregar o
resto das fichas, estando irritado.

Agora, o mais importante: não seja um daqueles chatos que vive reclamando das bad beats que tomou. Todo mundo já levou as suas e ninguém suporta um cara
que só fala nisso, a todo momento. Além de ser inconveniente, traz um clima muito pesado para a conversa e para o jogo, e isso afasta as pessoas de você.

Valeu pessoal, até a próxima!

All in

Coluna feita por: Igor federal
Editado por: Johnny Régis Fusinato

Toda vez em que estou jogando com iniciantes escuto um ALL IN a cada dois minutos
na mesa.

* Bateu meu top pair: all in
* Estou nut: all in
* Estou blefando: all in
* Tenho um bom jogo: all in
* Esse cara está com flush draw: all in
* Eu acho que ele está roubando: all in

Quando jogo com profissionais em grandes torneios escuto muito raramente estas palavras, exceto quando estamos em reta final com os blinds gigantescos e os potes
monstruosos. Nessa hora todos fazem de tudo para ganhar os potes e roubar os blinds, e daí os all ins tornam-se repetitivos e constantes. E é aí que acontecem as mais errôneas conclusões.
O Johnny Bax deu um all in de 66 do meio da mesa e ele é fera, então isso deve ser certo. O Phil Ivey pagou um all in de AT off suited, então vou fazer o mesmo. O Daniel Negreanu deu um all in em cima de um raise e um call e ele tinha 99; é isso mesmo, o negócio é meter ficha e dar all in.

O que as pessoas não percebem é que esses grandes jogadores jogaram por horas (no caso do online) e por dias (em torneios ao vivo) para chegar bem colocados na reta final dos supostos torneios. Uma vez na reta final, a agressividade impera e os blinds muitas vezes representam um bom percentual do stack de cada jogador.


EXEMPLO:

Numa final de torneio, mesa com nove jogadores e o dealer é o Player 9.

Player 1 - 320.000 fichas
Player 2 - 260.000 fichas
Player 8 - 45.000 fichas
Player 9 - 30.000 fichas

Blinds - 5.000/10.000 - Ante de 1.000 por jogador.

Ou seja, o pote tem 5.000 do small blind + 10.000 do big blind + 9.000 das antes = 24.000 fichas, antes mesmo da mão começar.

Imaginem que o Player 8 recebeu K♣8♣ no cut-off. Ele tem 45K em fichas. O pote já contém mais da metade das fichas que ele possui. Se ele roubar aquele pote ele irá
para 69K, sem jogar. Ele vai all in e tenta roubar os blinds. Todos correm e o big blind é o Player 2. Ele sabe que o Player 8 tem enormes possibilidades de estar roubando os blinds. Ele olha sua mão: A7 offsuited. Ele dá call e:

1 - Player 8 dobra e as pessoas pensam: “Tem que meter ficha com K8 mesmo, ainda
mais naipado. Poker é meter ficha com coragem”.

2 - Player 8 é eliminado e as pessoas pensam: “Tem que dar call de A7 mesmo, ás é ás. Poker é ter peito pra chamar com A7”.

Se esses dois jogadores forem o Doyle Brunson e o Gus Hansen, então é que as conclusões serão ainda piores: “Se o Doyle e o Gus fazem isso e eu quero ser um
grande jogador, então eu devo fazer o mesmo”. Nada disso. Esses caras jogaram por horas (ou dias) para chegar ali. Deram fold em JJ pré-flop. Largaram AK com um K no board, pois um outro jogador estava dando indício de estar com jogo melhor. Largaram flush draw, straight draw e top pair aos montes. Mas essas mãos não
foram para a TV! A TV só mostra a reta final dos torneios. E daí as pessoas que assistem a esse momento tomam conclusões muito erradas. No outro dia, sentam para jogar com seus amigos e enfiam all in a cada dois minutos.


Divido os all ins de jogadores iniciantes em quatro classes:

1 ESTOU COM MEDO OU REVOLTADO.

Tenho AJ. Subo 3BB pré-flop e recebo um call.

Flop: AJ6. Lindo. Eu dou um bom bet (igual ao tamanho do pote) e o cara dá call.
Turn: T. Eu aposto bem alto (o pote outra vez) e o cara dá call.
River: Q. Caramba, se este cara tiver AQ agora ele fez dois pares maioresque os meus. Se ele tiver qualquer K ele fez um straight. Será??? Eu não mereço. Esse pote era meu. Não é justo. Não pode ser. ALL IN!!!!!!!!

2 ESTOU BLEFANDO.

Tenho KJ. Um cara sobe 4BB pré-flop e eu dou call.
Flop: Q42. Ele aposta pouco e eu dou um raise no cara tentando ganhar o pote num blefe. O cara dá call.
Turn: Outro 4. Esse cara só deu call. Ele não deve estar tão forte assim. Esse outro 4 não ajudou ele em nada. Talvez tenha assustado ele ainda mais. Situação perfeita para roubar. ALL IN!!!!!!!!

3 BATEU MEU JOGO E EU NÃO ME AGUENTO.

Tenho 88. Um cara sobe 3BB pré-flop e eu dou call.
Flop: 852. O cara aposta. ALL IN!!!!!!!!

4 EU SOU MACHO.

Tenho A♥5♥. Um cara sobe 4BB pré-flop. Eu dou um raise alto nele. Ele volta um reraise alto. Ele acha que eu tenho medo dele. Eu sou macho. Comigo não. ALLIN!!!!!!!!


O QUE FAZER?

No caso 1, seu all in não tem valore você não deve apostar nada. Ele pode ter AA, JJ, KQ, AK, AQ, KK, 66 e você está perdido em todos os casos. Você só está ganhando de
A6 ou AX. Todas as outras mãos são absolutamente improváveis. De nove prováveis mãos você só está ganhando em duas. Não adianta chorar, gritar ou espernear. Se
você der all in, ele vai largar qualquer mão perdedora e dará call só se estiver te batendo. O certo é dar check e esperar o tamanho da aposta dele. E daí decida se paga ou corre. Não vá all in por medo ou revolta. Você não tem nada a ganhar com isso.

No caso 2, caso resolva blefar, aposte 1/3 do stack do seu adversário. Não precisa ir all in. Se ele não tiver nada ou uma mão fraca ele vai largar. Não precisa colocar
todas as suas fichas num blefe. Se estiver muito forte, ele te dá um reraise e daí você larga, uma vez que você não tem nada. Pra que all in?

No caso 3, tente extrair fichas, não é um momento para tudo ou nada. Essa é uma hora para crescer bastante. Tente atingir esse objetivo calmamente. Pense na melhor
maneira de obter as fichas do adversário. Pra que all in?

No caso 4. Pare com isso, poker não é prova de masculinidade. Poker é um jogo de habilidade e inteligência. Quer provar valentia? Vá fazer Jiu-Jitsu.


ALL IN DEVE SER USADO BASICAMENTE EM 3 SITUAÇÕES:

A) Quando você quer defender a melhor mão.
Você tem K♦K♣
Flop:K♥8♥9♣

Um cara aposta, o outro paga. Você dá um raise pesado imaginando que um está flush draw(com 2 de copas na mão) e o outro está straight draw (TJ na mão, por exemplo). Os dois jogadores pagam sua aposta, confirmando seu pensamento.

Turn: 3♦ Ufa .... nada mudou. Um cara sai apostando, o outro continua pagando. O pote está enorme. All in pode ser um ótimo movimento. Defenda a mão vencedora até o momento. E quem quiser pagar para ver o seu draw, que pague bastante caro.

B) Quando o adversário avisa que quer entregar tudo.
Você tem AA e sobe 3,5BB. Um cara dá call.

Flop: AT8

Você dá check. Ele dá um raise alto. Você dá um reraise pesado nele. Ele sobe novamente colocando metade do stack dele na mesa, já avisando que não vai largar a mão. All in. Ele quer entregar tudo e você não tem como fugir. Só comemorar.

C) Em reta final de torneio Isso já foi falado exaustivamente acima. Existem dezenas e dezenas de exemplos de cada um dos tipos de all ins desastrados que eu citei. Para
cada tipo mencionado, eu teria vários outros exemplos de ações indevidas e incorretas que levam jogadores iniciantes a fazer besteira. Não tenho espaço aqui
para esmiuçar todas as situações possíveis. Saiba extrapolar os exemplos dados para o seu dia-adia numa mesa de poker.
Não pense que vai aprender alguma coisa sobre como jogar um torneio de poker, vendo somente mesas finais em sites ou na televisão.
Os all ins sucessivos e a pancadaria das mesas finais não são bons exemplos de comportamento ao longo dos torneios. São exceções, não regras.

Good Luck to All Inn.

Saiba Perder

Coluna feita por: Maridu de Souza
Editado por: Johnny Régis Fusinato

Bom, depois de pensar muito sobre o assunto dessa primeira coluna, achei prudente falar de uma das lições mais importantes que já tive até hoje, tanto no poker, quanto na vida: aprender a perder!

"Mas a Maridu vai falar sobre saber perder, em um jogo onde as pessoas só pensam em ganhar?" Sim! Porque a chave para aprender a ganhar é saber perder!

Excelentes profissionais do poker (MTT online especialmente) têm uma virtude em comum que supera os seus ganhos (que são muitos!) e essa virtude é a de saber
perder! Eles sabem que a longo prazo os resultados vão aparecer ("if you build it, he will come"), mas eles também sabem que a curto prazo (em 1, 2, até em 10
torneios) o fator "sorte" entra na jogada, e é necessário ganhar os coinflips para vencerem a guerra. Mas quando o AA deles perde para um 89 suited, eles falam "nh, gg" e seguem avante, procurando o longo prazo, pois é lá que está o pote de ouro!

Mas pombas, queremos ganhar AGORA, e às vezes esse fator "sorte agora" (pros outros) acontece muito mais do que devia, deixando o jogador (especialmente essa tiltada escritora!) louco, irritado, desanimado, achando que nunca mais vai ganhar nem pique-pega contra o sobrinho de 7 anos. É aí começa a descida...

Com o moral lá embaixo, você começa a jogar inseguro, entra nos pots pisando em ovos, convicto de que vai perder, e inclusive reclama quando dá raise com seu KK e toma call, porque tem certeza de que vai bater o maldito A no flop! De repente você está tão por baixo, que começa a tomar decisões incorretas, joga de forma passiva, não otimiza seus ganhos e agora vive com medo da "bruxa" e do "bicho papão"! Que fase! Tá com medinho, vai pedir colinho pra mamãe (não pra minha, é claro!) haha!

É aí que entra a virtude que diferencia os grandes vencedores. Quando eles perdem nessas situações, a auto-confiança deles não se abala (o Akkari nem tilta, grrr!), pois sabem que essa tal de Lady Luck é “facinha” e dá pra todo mundo, até pros mais "feinhos" e "sujinhos" (lol), e ela vai vir pra cima de você também (hehe!) Sabendo disso, esses vencedores não mudam absolutamente NADA no jogo deles nesses momentos negros onde a Lady Luck está pulando a cerca com o Ricardão, e entram no próximo torneio como se o anterior nem tivesse ocorrido, sabendo que "that's poker" (frase mais irritante!) e continuam jogando como se sempre estivessem ganhando, porque a verdade é que sempre estão, pois sabem perder! Ao contrário de muitos jogadores que depois de 10 (ou 15, ou 20) dias de derrotas intoleráveis, onde parece que até Deus está de marcação com você (nossa, que drama!) desistem e jogam a toalha. Esse jogador ainda não sabe perder, portanto ainda não aprendeu a ganhar.

O que fazer quando esses períodos negros de nenhum ITM acontecem com você? (alem de quebrar o teclado?) Continue tentando! Enquanto você estiver tentando,você
não fracassou! Respeite seus limites de bankroll para poder continuar tentando.

E acima de tudo, mantenha o moral lá em cima, sabendo que "bruxa" e "bicho papão" só existem embaixo da sua cama ou dentro do seu armário, mas não no poker! Só
assim você vai conseguir virar o jogo e dar uma dura na Lady Luck, mostrando que você não precisa dela. Aí ela gama de vez e não te larga nunca mais! Pode acreditar!

GL a todos, e nos vemos pelas mesas!!